segunda-feira , 15 junho 2026
Foto: Nathan Howard/Reuters
A ação foi apresentada pelo Rumble e pelo grupo Trump Media, ligada ao presidente dos EUA, Donal Trump | Foto: Nathan Howard/Reuters

AGU busca intervir em processo nos EUA contra decisões de Alexandre de Moraes

A Advocacia-Geral da União (AGU) formalizou, nesta segunda-feira, 15, a intenção de ingressar como parte interessada em uma ação judicial que tramita nos Estados Unidos. O processo, movido pela plataforma Rumble Inc. e pelo Trump Media & Technology Group, questiona decisões proferidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A iniciativa do governo brasileiro visa garantir a participação direta do Estado na defesa da validade das ordens judiciais emitidas pela Suprema Corte. A autorização para a atuação da AGU no caso foi concedida pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, que destacou a importância institucional da medida para a preservação da soberania nacional e da independência do Poder Judiciário.

Contexto da disputa jurídica internacional

O processo em questão corre no Tribunal Federal da Flórida. As empresas autoras da ação alegam que as determinações de Moraes, que incluem o bloqueio de perfis e conteúdos em redes sociais, violariam garantias fundamentais protegidas pela Primeira Emenda da Constituição norte-americana. O magistrado brasileiro chegou a ser notificado por via eletrônica sobre as acusações.

A disputa ganha contornos mais complexos devido ao status da plataforma Rumble no Brasil. A rede de vídeos permanece suspensa no território nacional desde fevereiro de 2025, após decisão do ministro confirmada pelo plenário do STF. A medida foi tomada em razão do descumprimento reiterado de ordens judiciais emitidas pela Corte brasileira.

Defesa da soberania e imunidade jurisdicional

Ao pleitear sua entrada no processo, a AGU fundamenta sua estratégia no princípio da imunidade de jurisdição entre Estados soberanos. O órgão argumenta que decisões proferidas por magistrados brasileiros, no exercício de suas atribuições constitucionais, não podem ser submetidas ao escrutínio de tribunais estrangeiros sem o consentimento do Estado brasileiro.

Conforme a Advocacia-Geral da União, a submissão de atos jurisdicionais soberanos a cortes de outros países representa uma afronta ao Direito Internacional. O governo sustenta que qualquer questionamento sobre a legalidade das decisões do STF deve ser realizado exclusivamente dentro do sistema jurídico brasileiro, respeitando a legislação processual vigente no país.

Objetivo de extinção da ação

A estratégia da AGU é clara: buscar a extinção do processo nos Estados Unidos, reafirmando que o Brasil não reconhece a competência de tribunais estrangeiros para julgar a validade de atos da Suprema Corte. O órgão enfatiza que a controvérsia transcende a figura individual do ministro e atinge o núcleo da integridade do Estado de Direito no Brasil.

A habilitação formal no processo é o passo necessário para que o governo brasileiro apresente seus argumentos perante a Justiça norte-americana. A expectativa é que, ao assumir a defesa institucional, o Estado consiga demonstrar que a tentativa de judicialização internacional das decisões brasileiras é uma interferência indevida na soberania nacional.

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