terça-feira , 2 junho 2026
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Claudio Pires, sócio-diretor de investimentos da MAG Investimentos | Foto: MAG Investimentos

Ajuste fiscal é inevitável independentemente do vencedor das eleições, aponta MAG

A realidade fiscal que desafia o próximo governo

Em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira, 28, em São Paulo, Claudio Pires, sócio-diretor de investimentos da MAG Investimentos, apresentou o cenário-base da gestora para o Brasil até o fim de 2026. O executivo foi enfático ao descartar a possibilidade de um alívio imediato na política econômica após o pleito de outubro, independentemente de quem assuma o comando do país.

Para o gestor, que administra cerca de R$ 20 bilhões, a conta fiscal é uma realidade incontornável. “Qualquer um que seja eleito terá que ajustar o fiscal”, afirmou Pires, reforçando que a pressão dos indicadores econômicos forçará uma postura mais rígida, o que, por sua vez, deve impactar a curva de juros e o ritmo da atividade econômica nacional.

O peso do arcabouço e o desafio do déficit

A análise da MAG Investimentos aponta para uma fragilidade estrutural no atual arcabouço fiscal brasileiro. Segundo Pires, o modelo vigente é marcado por exceções que somam quase 1% do PIB, transformando a meta oficial de déficit zero em um resultado prático de -1%. Esse cenário é agravado por uma Selic elevada, que torna o custo da dívida pública insustentável sem uma coordenação eficiente entre o Banco Central e o governo federal.

O executivo utilizou uma metáfora recorrente no mercado financeiro para descrever a trajetória do país: o Brasil tende a se aproximar de situações críticas, mas costuma reagir antes do colapso. No entanto, a incerteza permanece sobre quanto tempo essa resiliência será mantida diante de um cenário global de juros em alta, que pressiona as decisões de política monetária interna.

Juros altos e o impacto no fluxo de capitais

A gestora projeta que a taxa Selic encerre 2026 em 14%, apesar do patamar atual de 14,5%. Pires ressaltou que manter juros altos em um ciclo contrário ao do restante do mundo — onde países como Japão e Austrália também elevam suas taxas — impõe um desafio adicional. Esse diferencial de juros, embora atraente para o capital especulativo, desestimula investimentos produtivos de longo prazo.

O fluxo de capitais já reflete essa cautela. Investidores institucionais têm retirado recursos da renda variável, e o capital estrangeiro, que anteriormente apostava em uma alternância de poder, demonstra sinais de reversão. A manutenção de juros elevados, segundo Pires, é uma “infelicidade produtiva” necessária para conter os riscos inflacionários, mas que cobra um preço alto da economia real.

Crescimento condicionado ao consumo das famílias

Apesar das adversidades, a MAG não trabalha com a hipótese de recessão, projetando um crescimento do PIB próximo de 2%. Esse desempenho é sustentado pelo consumo das famílias, impulsionado por medidas de estímulo como o programa Desenrola e a isenção de imposto de renda. Contudo, a gestora alerta que esse modelo possui prazo de validade, uma vez que a injeção de liquidez pressiona a inflação, com projeção de IPCA em 5% para o ano.

No campo político, o cenário-base da gestora aponta para a reeleição do presidente Lula, após uma percepção de desgaste da oposição. Para o mercado, a manutenção do governo atual eleva a necessidade de disciplina fiscal, forçando o setor financeiro a atuar como o principal indutor de responsabilidade econômica, independentemente das promessas feitas durante a campanha eleitoral.

Para mais detalhes sobre as perspectivas econômicas, acesse a fonte oficial em Revista Oeste.

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