terça-feira , 2 junho 2026
tivas no Brasil , a Frente Parlamentar Mista para a Promoção da Saúde Mental apr
Reprodução Revistaoeste

Parlamentares propõem banir publicidade e patrocínio de apostas no brasil

Em uma iniciativa que visa frear a crescente influência das apostas esportivas no país, a Frente Parlamentar Mista para a Promoção da Saúde Mental apresentou, na última terça-feira, dois projetos de lei de tramitação simultânea na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. A proposta central busca proibir anúncios, propagandas e patrocínios de plataformas de apostas em todo o território nacional, reunindo um apoio significativo de congressistas.

A medida, que já conta com a adesão de 20 deputados federais e sete senadores, reflete uma preocupação crescente com os impactos sociais e de saúde pública associados ao setor de apostas online. O debate sobre a regulamentação e os limites da publicidade nesse segmento ganha força no Congresso, impulsionado por dados que apontam para prejuízos consideráveis à população.

A iniciativa legislativa contra as apostas

Intitulada “Brasil Contra as Bets”, a proposta legislativa demonstra um esforço conjunto de parlamentares de diversas filiações partidárias e espectros políticos. No lançamento da iniciativa, destacou-se a presença de figuras como a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), simbolizando a transversalidade do tema.

O texto dos projetos de lei estabelece uma proibição abrangente da publicidade de apostas em múltiplos canais, incluindo televisão, rádio, internet, redes sociais, plataformas de streaming e outdoors. Além disso, prevê restrições severas ao patrocínio esportivo e cultural que esteja vinculado a essas plataformas, buscando desassociar as apostas de eventos de grande visibilidade e apelo popular. A legislação também contempla o fortalecimento do tratamento da ludopatia (vício em jogos) no Sistema Único de Saúde (SUS) e a imposição de limitações para apostas consideradas de alto risco de dependência.

Impactos financeiros e de saúde mental das apostas online

Durante o evento de apresentação dos projetos, representantes do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) trouxeram à tona dados alarmantes sobre os prejuízos potenciais das apostas online no país. Segundo o instituto, os custos associados a esses jogos podem exceder a marca de R$ 38 bilhões anuais.

Esses valores englobam uma série de impactos negativos, como custos diretos com saúde mental, o endividamento familiar, o aumento de casos de ansiedade e depressão, e a preocupante exposição de menores de idade à publicidade digital de plataformas de apostas. A dimensão desses prejuízos reforça a urgência de medidas regulatórias mais rigorosas.

Desafios regulatórios e o cenário das empresas de apostas

Atualmente, o Brasil conta com 80 empresas autorizadas a operar no mercado de jogos e apostas. No entanto, há indícios de uma movimentação significativa em mercados não regulamentados, o que dificulta a fiscalização e a proteção dos consumidores. A senadora Damares Alves expressou confiança na aprovação dos projetos de lei, traçando um paralelo com o sucesso da aprovação da licença-paternidade, que também enfrentou resistências.

Um relatório recente, citado pela senadora, revela que 41% dos evangélicos já realizaram apostas online, e, desse grupo, 35% contraíram dívidas em decorrência do jogo. Esses dados sublinham a amplitude do problema e a necessidade de uma resposta legislativa que transcenda divisões ideológicas, focando na proteção da população.

Ferramentas de proteção ao apostador: a autoexclusão

Em um esforço complementar às propostas legislativas, o Ministério da Saúde divulgou, também na terça-feira, que mais de 574 mil pessoas já buscaram o serviço de autoexclusão lançado pelo governo federal no final do ano passado. Essa plataforma inovadora permite que os usuários bloqueiem voluntariamente, com uma única solicitação, todas as casas de apostas vinculadas ao seu Cadastro de Pessoa Física (CPF).

O comunicado oficial do governo detalha que, do total de cadastrados, 207 mil usuários — o equivalente a 41% — apontaram a perda de controle sobre o jogo e os impactos negativos na saúde mental como os principais motivadores para a autoexclusão. O recurso impede novos cadastros e o envio de publicidade direcionada, além de possibilitar a definição de um período de afastamento das atividades de apostas, oferecendo uma ferramenta crucial para aqueles que buscam auxílio para lidar com a dependência.

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