terça-feira , 2 junho 2026
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Babá revela pedido de Monique para apagar mensagens em julgamento do caso Henry Borel

Em um dos momentos mais aguardados do processo, a babá Thayná de Oliveira Ferreira prestou depoimento neste domingo, 31, no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, durante o julgamento da morte de Henry Borel. Considerada uma testemunha-chave, Thayná afirmou que Monique Medeiros, mãe do menino, teria solicitado a ela que apagasse mensagens do celular e minimizasse os relatos sobre a convivência familiar após o falecimento da criança.

O depoimento de Thayná Ferreira ocorre no sétimo dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e Monique Medeiros. Ambos são acusados pela morte de Henry, de apenas 4 anos. A babá também declarou à juíza Elizabeth Machado Louro sua intenção de se retratar de versões anteriores apresentadas ao longo da investigação, adicionando uma nova camada de complexidade ao caso.

Alegações sobre a manipulação de informações no julgamento

Durante sua fala, Thayná Ferreira detalhou as supostas instruções que recebeu de Monique Medeiros. Segundo a babá, no dia seguinte ao enterro de Henry, ela foi levada a um escritório de advocacia, onde teria sido orientada sobre o que deveria dizer à imprensa e à polícia. Neste encontro, Monique teria feito os pedidos diretos.

A babá afirmou ter ouvido de Monique a frase: “Apaga as mensagens”. Além disso, Thayná relatou que foi instruída a sustentar a narrativa de que a convivência entre os membros da família era harmoniosa, com a suposta orientação: “Fala que a nossa relação era muito boa”. Essas declarações são cruciais para a acusação, pois sugerem uma tentativa de encobrir fatos ou influenciar a investigação.

Episódios de desconfiança e o relato da babá

Thayná Ferreira também trouxe à tona três episódios específicos que, segundo ela, geraram desconfiança sobre a relação entre Jairinho e Henry. Os incidentes teriam ocorrido entre janeiro e fevereiro de 2021. Em todas as ocasiões, o então vereador teria levado o menino para um quarto e fechado a porta, afastando-o da vista da babá.

Em um desses casos, a testemunha descreveu que Henry saiu do quarto mancando e, posteriormente, reclamou de dores na cabeça. O menino teria dito que havia levado uma “banda” e caído da cama. Thayná afirmou que comunicava essas situações a Monique tanto por mensagens quanto pessoalmente, embora tenha ressaltado que nunca presenciou diretamente as agressões contra a criança.

As contestações da defesa e o prosseguimento do caso

Questionada pelas defesas de Jairinho e Monique, a babá explicou que não procurou a polícia anteriormente porque não testemunhou a violência de forma direta e sentiu medo diante da situação. Os advogados dos réus, por sua vez, contestaram diversos pontos do depoimento de Thayná, explorando divergências entre as versões apresentadas pela testemunha ao longo do processo investigatório.

O julgamento do caso Henry Borel segue em andamento no Rio de Janeiro. A acusação sustenta que Jairinho agrediu Henry até a morte em março de 2021, enquanto Monique Medeiros teria se omitido diante das agressões sofridas pelo filho. Ambos os acusados negam veementemente qualquer participação no crime que chocou o país. O desdobramento do processo continua a ser acompanhado de perto pela opinião pública e pela justiça. Saiba mais sobre o sistema judiciário brasileiro.

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