terça-feira , 9 junho 2026
Foto: Joédsom Alves/Agência Brasil
Foto: Joédsom Alves/Agência Brasil

Banco Central intensifica fiscalização contra apostas ilegais após críticas do TCU

O Banco Central do Brasil (BC) implementou, no fim do mês passado, um novo sistema de monitoramento para identificar e combater a crescente onda de apostas ilegais e jogos on-line no país. A medida surge como resposta direta às deficiências observadas na fiscalização e regulamentação do setor, que permite a atuação de plataformas sem licença oficial, as quais operam sem recolher impostos ou compartilhar receitas com o governo.

A iniciativa do BC visa aprimorar a capacidade de detecção de movimentações financeiras suspeitas, buscando frear um mercado clandestino que movimenta bilhões anualmente e representa um desafio significativo para a integridade do sistema financeiro nacional. A ação coordenada busca não apenas proteger os consumidores, mas também assegurar a conformidade regulatória e combater práticas ilícitas como a lavagem de dinheiro, que prosperam na ausência de um controle eficaz.

Ações do Banco Central para Coibir Apostas Ilegais

O novo sistema de monitoramento do Banco Central exige adaptações por parte das instituições financeiras reguladas. Estas instituições têm a opção de aderir imediatamente ao sistema e um prazo final de até 1º de dezembro para implementar o rastreamento completo das operações. O objetivo é criar uma rede de vigilância robusta capaz de identificar padrões e transações que fujam da normalidade.

As operações consideradas suspeitas, tanto aquelas realizadas por apostadores quanto pelas empresas intermediadoras de pagamentos, serão marcadas internamente. Para isso, será utilizada a ferramenta Fraud Marker, já empregada com sucesso na identificação de denúncias de golpes via Pix. Este mecanismo permite que o BC e as instituições financeiras construam um perfil de risco e atuem preventivamente contra a proliferação de atividades ilícitas.

O Cenário da Ilegalidade e as Falhas na Fiscalização

A decisão do Banco Central de intensificar o monitoramento foi tomada em uma reunião da diretoria colegiada em 19 de maio. No mesmo dia, o Tribunal de Contas da União (TCU) divulgou um relatório que destacava falhas significativas do governo federal no combate às apostas ilegais, com foco especial na prevenção à lavagem de dinheiro. O TCU apontou “deficiências sistêmicas” nas ações da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, indicando uma lacuna na supervisão governamental.

Estudos encomendados por empresas do setor e revisados pelo próprio TCU revelaram a magnitude do problema: o mercado ilegal de apostas movimenta entre R$ 26 bilhões e R$ 40 bilhões por ano no Brasil. Esse montante representa uma parcela alarmante, variando de 41% a 51% do valor total apostado no país, evidenciando a urgência de medidas mais rigorosas para formalizar e fiscalizar o setor.

Transparência e Proteção de Dados no Novo Sistema

O Banco Central assegura que as marcações de operações suspeitas ocorrerão de forma sigilosa. Esta abordagem está em conformidade com as exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e visa preservar a livre concorrência entre os operadores do mercado. A confidencialidade é crucial para evitar a estigmatização indevida e garantir que apenas atividades comprovadamente irregulares sejam alvo de investigação.

Para facilitar a distinção entre plataformas regulares e irregulares, os sites de apostas legalizados no Brasil são identificados pelo domínio .bet.br. Essa padronização é uma ferramenta importante para que tanto os consumidores quanto as instituições financeiras possam verificar a legitimidade de uma plataforma, contribuindo para um ambiente de apostas mais seguro e transparente.

Expansão do Rastreamento para Criptoativos e Outras Transações

Além das operações tradicionais, o Banco Central também irá acompanhar de perto operações financeiras, empréstimos e transações envolvendo criptoativos que estejam relacionadas a operadores não autorizados. Essa expansão do escopo de monitoramento reflete a crescente utilização de moedas digitais em atividades ilícitas e a necessidade de adaptar as ferramentas de fiscalização a novas tecnologias.

As instituições financeiras terão um prazo específico para iniciar o rastreamento dessas transações mais complexas. O monitoramento de transações com criptoativos deve começar até 30 de outubro, enquanto o rastreamento de todas as contas suspeitas, incluindo as demais operações financeiras, deve ser efetivado até 1º de dezembro. Essas datas estabelecem um cronograma claro para a implementação das novas diretrizes de combate à ilegalidade no setor de apostas.

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