segunda-feira , 15 junho 2026
repassar à imprensa informações sobre diárias de uma viagem cancelada do diretor
Reprodução Revistaoeste

Câmara dos Deputados monitora computadores de 89 servidores após vazamento de dados

A Comissão Permanente de Disciplina (Copedi) da Câmara dos Deputados iniciou uma investigação interna rigorosa que resultou no acesso aos registros de computadores de 89 servidores da instituição. A ação, conduzida pela Diretoria de Tecnologia, visa apurar o vazamento de informações sigilosas sobre viagens e pagamentos de altos funcionários da Casa.

O escopo da devassa abrange uma lista de colaboradores estratégicos, incluindo seis assessores diretos do presidente da Câmara, Hugo Motta, além do secretário-geral da Mesa, Lucas Ribeiro Almeida Jr. A apuração também alcançou gabinetes de lideranças partidárias e secretarias adjuntas, gerando um dossiê de 814 páginas que detalha minuciosamente o comportamento digital dos investigados.

Investigação sobre a origem de vazamentos internos

O objetivo central da Copedi é identificar a fonte responsável pelo repasse à imprensa de dados sobre uma viagem cancelada do diretor-geral, Guilherme Brandão, com destino a Lisboa. A suspeita de que informações sensíveis foram extraídas ilegalmente levou a medidas drásticas, como a apreensão de equipamentos eletrônicos em gabinetes, incluindo a liderança do Cidadania.

O monitoramento, iniciado em 21 de maio, concentrou-se em buscas específicas no sistema interno. Os técnicos rastrearam termos como “missão oficial”, “Lisboa” e o ponto funcional de Guilherme Brandão. A análise dos registros de acesso permite identificar exatamente quem consultou processos administrativos e em quais horários essas atividades foram realizadas.

Processo administrativo e polêmica das horas extras

A partir da análise dos logs de rede, a comissão instaurou um processo administrativo disciplinar (PAD) contra um servidor específico. A investigação apontou que o funcionário acessou registros detalhados sobre a concessão de horas extras ao diretor-geral. O tema das remunerações adicionais tornou-se um ponto de tensão, dado que Guilherme Brandão e outros diretores receberam valores expressivos em 2024 e 2025 por jornadas excedentes.

Em nota oficial, a Câmara dos Deputados refutou qualquer irregularidade nos pagamentos. A instituição argumenta que os servidores cumprem jornadas extenuantes que superam as 40 horas semanais, com a frequência devidamente registrada por sistemas biométricos, inclusive aos finais de semana.

Defesa da legalidade e procedimentos internos

A administração da Câmara sustenta que a apuração é uma obrigação legal para garantir a integridade dos dados institucionais. Segundo o órgão, o fato de os computadores de assessores de Hugo Motta terem sido consultados não implica que esses profissionais sejam, necessariamente, alvos de punição ou suspeitos formais.

O caso expõe a fragilidade do controle de informações internas em um ambiente de alta sensibilidade política. Enquanto a Copedi prossegue com a análise dos dados coletados, a Casa busca conter a exposição de seus processos administrativos e reforçar a segurança de seus sistemas de informação.

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