terça-feira , 9 junho 2026
Foto: Divulgação
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Mãe de Henry Borel recebe perdão judicial, Jairinho condenado a 43 anos.

Após quase duas semanas de intensas sessões, o 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro proferiu a sentença no emblemático caso Henry Borel. Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, foi condenado a uma pena de 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte do menino. Em contrapartida, a mãe da criança, Monique Medeiros Costa e Silva de Almeida, teve sua acusação reclassificada para homicídio culposo e recebeu o perdão judicial, o que a isenta de cumprir nova pena.

A decisão foi anunciada pela juíza Elizabeth Machado Louro no encerramento de um julgamento que se tornou o mais longo já registrado no Estado. A complexidade e a repercussão do caso, que chocou o país, culminaram em um veredito aguardado com grande expectativa pela sociedade e pela comunidade jurídica.

A condenação de Jairinho e o perdão judicial à mãe de Henry

A Justiça considerou Jairinho culpado por homicídio duplamente qualificado, tortura e coação durante o processo. Além da pena de prisão, ele foi responsabilizado a pagar R$ 400 mil em indenização por danos morais ao pai de Henry, Leniel Borel. A gravidade das acusações e as evidências apresentadas ao longo do julgamento pesaram na decisão dos jurados.

No caso de Monique Medeiros, os jurados entenderam que sua conduta foi de negligência e não de intenção direta de causar a morte do filho, desclassificando o crime imputado inicialmente. Ela foi condenada por omissão diante das agressões sofridas por Henry. Contudo, como já havia cumprido período de prisão durante a fase de investigação, a pena foi considerada extinta, e a mãe deve ser liberada.

Repercussão e recursos judiciais após a sentença

A decisão judicial gerou reações imediatas por parte das partes envolvidas. O Ministério Público do Rio de Janeiro declarou sua intenção de recorrer, manifestando discordância com o perdão judicial concedido a Monique Medeiros. Paralelamente, a defesa de Jairinho também anunciou que irá recorrer, contestando o resultado do julgamento e buscando a revisão da condenação.

O júri, que permaneceu isolado desde o início do processo para evitar influências externas, não teve acesso a redes sociais até a proclamação do veredito. Essa medida visou garantir a imparcialidade e a integridade do julgamento, dada a intensa cobertura midiática e o clamor público em torno do caso.

O contexto do caso Henry Borel e as investigações

O caso Henry Borel ganhou repercussão nacional a partir de março de 2021, quando o menino, então com quatro anos, faleceu apresentando sinais de violência. Inicialmente, o casal afirmou que a morte havia sido resultado de um acidente doméstico. No entanto, um laudo do Instituto Médico Legal (IML) revelou 23 lesões no corpo da criança, incluindo laceração hepática e hemorragia interna, contrariando a versão inicial.

Uma simulação em 3D, anexada ao processo, reforçou a tese de agressões múltiplas, demonstrando que os ferimentos não eram compatíveis com quedas ou com a disposição dos móveis do local. A Polícia Civil concluiu que Henry era submetido a tortura e que Monique Medeiros tinha conhecimento dos fatos. O Ministério Público afirmou que, em pelo menos três ocasiões no mês anterior à morte, Jairinho teria causado sofrimento físico e psicológico ao menino.

Desdobramentos políticos e judiciais do caso

As prisões de Jairo Souza Santos Júnior e Monique Medeiros ocorreram em abril de 2021. Monique chegou a obter liberdade por um mês em março de 2026, após decisão favorável da juíza que avaliou excesso de prazo. Contudo, em 20 de abril, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou sua nova prisão, citando a gravidade do crime e o histórico de coação de testemunhas.

No âmbito político, Jairinho teve seu mandato de vereador cassado em 30 de junho de 2021, com 49 votos favoráveis entre 50 vereadores presentes. Em 2024, a Justiça manteve a decisão e negou recurso da defesa, com a desembargadora Jaqueline Lima Montenegro avaliando que “a sentença não merece reforma” ao rejeitar o pedido de anulação do decreto legislativo. O julgamento, inicialmente previsto para março deste ano, foi adiado após a defesa de Jairinho deixar o plenário, alegando não ter acesso integral a um notebook anexado ao processo, pertencente a Leniel Borel. Para mais informações sobre o sistema judicial brasileiro, visite o site do Ministério Público do Rio de Janeiro.

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