terça-feira , 9 junho 2026
Foto: Reprodução/Record TV
Foto: Reprodução/Record TV

Caso Henry Borel: pai critica perdão judicial de Monique Medeiros e anuncia recurso

O pai do menino Henry Borel, Leniel Borel, manifestou profunda indignação com a decisão judicial que concedeu perdão a Monique Medeiros, mãe da criança, no julgamento encerrado na madrugada de 4 de junho de 2026. Em um desabafo emocionado na saída do tribunal, Leniel afirmou que a medida representa uma nova tragédia para a memória de seu filho, declarando: “Mataram o meu filho pela terceira vez”.

A sentença, que livrou Monique de punição por homicídio culposo por omissão, contrasta drasticamente com a condenação do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, que recebeu uma pena de 43 anos de prisão. A disparidade nas decisões e a justificativa apresentada pela magistrada geraram forte repercussão e levantaram debates sobre a aplicação da justiça em casos de violência contra menores.

A decisão judicial e o perdão a Monique Medeiros

O conselho de sentença considerou Monique Medeiros culpada por homicídio culposo, caracterizado pela ausência de intenção de matar, mas por omissão. Contudo, a juíza Elizabeth Machado Louro optou por aplicar o perdão judicial, extinguindo a pena da ré. A magistrada fundamentou sua decisão mencionando aspectos de violência de gênero, argumentando que o sistema de Justiça frequentemente trata mães de forma desigual em situações de agressão familiar.

A justificativa da juíza foi veementemente rebatida por Leniel Borel. O pai de Henry expressou sua preocupação de que tal veredito possa estabelecer um precedente perigoso para a proteção de crianças e adolescentes no Brasil. “Dizer que a misoginia matou o Henry é um absurdo. Quem tinha o dever de garantir a proteção do meu filho se chama Monique. Ela estava naquele apartamento com o Jairo”, declarou Leniel, ressaltando a responsabilidade da mãe na tragédia.

A condenação de Jairinho e a gravidade dos crimes

Em contrapartida à decisão envolvendo Monique, o ex-vereador Jairinho foi condenado a uma pena de 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão em regime fechado. Os jurados o consideraram culpado por homicídio triplamente qualificado, tortura e coação. Na sentença, a juíza destacou a “violência desproporcional” e a “rara e desmesurada covardia” demonstradas pelo réu contra a vítima.

Além da longa pena de reclusão, Jairinho também foi sentenciado a pagar uma indenização de R$ 400 mil por danos morais ao pai de Henry. A condenação do ex-parlamentar reflete a brutalidade dos atos cometidos e a gravidade das acusações que pesavam contra ele, em um caso que chocou a opinião pública brasileira.

O impacto da sentença e o recurso do pai

A decisão de conceder perdão judicial a Monique Medeiros gerou um amplo debate na sociedade e no meio jurídico. A crítica de Leniel Borel à sentença não se limita à sua dor pessoal, mas também à percepção de uma falha na proteção de menores. O pai de Henry está inconformado e deve recorrer da sentença, buscando reverter o perdão judicial e garantir que a mãe de seu filho seja responsabilizada criminalmente pelos atos de omissão que levaram à morte da criança.

A busca por justiça por parte de Leniel Borel visa não apenas a punição dos envolvidos, mas também a reafirmação da importância da responsabilidade parental e da proteção integral de crianças e adolescentes, conforme previsto na legislação brasileira. O caso continua a ser um marco na discussão sobre violência doméstica e a atuação do sistema judiciário. Para mais informações sobre o sistema judicial brasileiro, consulte o Conselho Nacional de Justiça.

A cronologia do trágico Caso Henry Borel

O crime que tirou a vida do pequeno Henry chocou o país em março de 2021, quando o menino tinha apenas 4 anos de idade. Henry foi levado já sem vida a um hospital no Rio de Janeiro por Monique Medeiros e Jairinho. Inicialmente, o casal alegou que a morte da criança teria sido causada por uma queda acidental da cama, tentando encobrir a verdadeira causa do óbito.

No entanto, os laudos periciais do Instituto Médico-Legal (IML) desmentiram categoricamente a versão apresentada pelos réus. Os exames revelaram que o fígado da criança havia se rompido em decorrência de uma hemorragia interna, provocada por fortes e repetidas agressões físicas. As investigações subsequentes apontaram para um cenário de tortura e violência que culminou na morte do menino, revelando a crueldade dos atos e a tentativa de acobertamento por parte dos acusados.

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