sábado , 13 junho 2026
Reprodução/ Youtube
Reprodução Revistaoeste

Laudo pericial descarta acidente e aponta tortura como causa da morte de Henry Borel

O caso Henry Borel, que chocou o país, teve um novo desdobramento crucial no julgamento dos acusados. Um perito do Ministério Público apresentou evidências que refutam categoricamente a versão de acidente doméstico, sustentando que a criança sofreu agressões severas e prolongadas antes de sua morte. As revelações foram feitas durante o quinto dia do julgamento, trazendo à tona detalhes sobre o estado do menino ao dar entrada no hospital.

As informações fornecidas pelo especialista apontam para um cenário de violência que contradiz as alegações da defesa. A análise forense detalhada foi fundamental para desconstruir a narrativa de uma fatalidade, focando nos múltiplos traumas e no sofrimento que precederam o óbito do garoto.

Laudo pericial detalha sofrimento e descarta queda

O menino Henry Borel Medeiros chegou sem vida ao Hospital Barra D’Or na madrugada de 8 de março de 2021, apresentando sinais inequívocos de sofrimento prolongado. O perito do Ministério Público, Luiz Carlos Leal Prestes, compartilhou esses achados com os jurados, destacando a gravidade das lesões.

A temperatura corporal de 34°C, registrada logo na entrada da emergência, indicou que o óbito havia ocorrido entre duas e três horas antes do socorro hospitalar. O laudo necroscópico revelou um rasgo no fígado, que resultou em um grande sangramento abdominal enquanto o coração da criança ainda estava ativo, evidenciando uma agonia significativa.

Contestação à versão de acidente doméstico

O médico perito refutou veementemente a tese de queda da cama, apresentada pelos advogados dos réus. Ele classificou a hipótese de acidente doméstico como uma “fantasia jurídica”, dada a extensão e a natureza dos ferimentos encontrados no corpo do menino.

Henry exibia dezenas de machucados espalhados por diversas partes do corpo, além de um inchaço cerebral provocado por pancadas violentas na cabeça. Esses múltiplos traumas são inconsistentes com uma simples queda, sugerindo um padrão de agressões.

Diferenciação entre traumas e procedimentos médicos

O profissional forense fez uma distinção clara entre as marcas de violência e aquelas que poderiam ter sido causadas pelas tentativas de reanimação. Os arranhões na boca e no nariz foram atribuídos à inserção de tubos de oxigênio na UTI, procedimentos comuns em emergências médicas.

No entanto, os demais traumas internos foram categoricamente classificados como resultantes de agressões. O perito afirmou que a vítima agonizou por horas e experimentou dores intensas antes de perder a consciência no apartamento da Barra da Tijuca, reiterando a natureza brutal dos eventos.

Reações no tribunal e o andamento do julgamento

Durante a exibição das fotografias coloridas das feridas internas do filho no telão, a ré Monique Medeiros Costa e Silva desabou emocionalmente e precisou deixar o plenário do Tribunal de Justiça. A juíza do caso autorizou sua retirada para o ambulatório do prédio, onde a acusada recebeu sedativos.

Este julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e de Monique é um novo processo, após uma sessão anterior ter sido suspensa em março. Naquela ocasião, os defensores do antigo político abandonaram o fórum devido à negativa de novos exames nos computadores apreendidos. O Ministério Público acusa o padrasto pelas agressões fatais e a mãe por omissão deliberada na proteção da criança, conforme os princípios de proteção à criança e ao adolescente no Brasil, como detalhado em fontes oficiais sobre direitos da criança.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *