domingo , 14 junho 2026
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Foto: Ricardo Stuckert/PR

Delação de Daniel Vorcaro rejeitada pela PF detalhava contratos com escritório da esposa de Moraes

Uma proposta de acordo de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, continha menções diretas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O documento, que detalhava contratos milionários entre a instituição financeira e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado, foi, contudo, rejeitado pela Polícia Federal (PF) por não cumprir os requisitos legais para a formalização do acordo.

As informações, divulgadas pela coluna de Lauro Jardim no jornal O Globo, lançam luz sobre os bastidores das negociações de colaboração e a complexidade das relações entre o setor financeiro e figuras do alto escalão do Judiciário. A rejeição da proposta pela PF sublinha o rigor das autoridades na avaliação da relevância e da suficiência das informações oferecidas por delatores.

Detalhes da proposta de delação e a menção a Moraes

Um dos anexos da proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro fazia referência explícita a Alexandre de Moraes. O material descrevia a natureza da relação contratual entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF. Este detalhe se tornou um ponto central na análise da proposta pelas autoridades.

O documento indicava que um contrato no valor de R$ 129 milhões teria sido firmado com o objetivo declarado de estreitar relações com o ministro do Supremo Tribunal Federal. Apesar da expressiva quantia, Vorcaro alegou que nenhuma contrapartida específica foi oferecida ou recebida em troca da contratação, levantando questionamentos sobre a natureza e a finalidade do acordo.

Contratos milionários sob escrutínio federal

Além do contrato inicial de R$ 129 milhões, a proposta de delação de Daniel Vorcaro também mencionava um novo vínculo profissional entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, estimado em cerca de R$ 50 milhões. Essa ampliação da relação profissional já era conhecida pelas autoridades e estava sob análise no âmbito das investigações em curso.

A existência de tais contratos e a menção ao nome de um ministro do STF em uma proposta de colaboração premiada destacam a sensibilidade e a relevância do caso. As autoridades federais buscam garantir que quaisquer acordos de delação sejam baseados em informações concretas e relevantes para a elucidação de crimes, evitando a instrumentalização do processo.

Rejeição da delação pela Polícia Federal

A Polícia Federal, após análise minuciosa do material apresentado por Daniel Vorcaro, concluiu que as informações fornecidas não preenchiam os critérios exigidos pela legislação para a formalização de uma delação premiada. A legislação brasileira estabelece rigorosos requisitos para a validade de tais acordos, incluindo a necessidade de revelação de fatos novos e relevantes que auxiliem na investigação e na persecução penal.

Com a decisão da PF, a proposta de Vorcaro foi oficialmente rejeitada e não avançou para a fase de homologação judicial. Essa rejeição sinaliza que, na avaliação das autoridades, o conteúdo oferecido não apresentava o nível de colaboração ou a novidade factual necessários para justificar os benefícios previstos em um acordo de delação premiada. Para mais detalhes sobre a rejeição, clique aqui.

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