O Ministério Público de São Paulo (MPSP) formalizou uma denúncia à Justiça contra Alysson Leandro Barbate Mascaro, ex-professor da Universidade de São Paulo (USP), por uma série de crimes sexuais. As acusações incluem estupro, estupro de vulnerável, assédio sexual e importunação sexual, envolvendo dez vítimas, todas do sexo masculino. A denúncia foi protocolada na última quarta-feira, 3, marcando um avanço significativo no processo legal que investiga as condutas do docente.
Mascaro, que anteriormente integrava o Departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito da Faculdade de Direito da USP, é apontado como autor dos crimes que teriam ocorrido ao longo de um extenso período, entre os anos de 2006 e 2024. As vítimas seriam ex-alunos e participantes de um grupo de estudos diretamente ligado à prestigiada instituição de ensino.
Detalhes da Acusação e o Período dos Delitos
A denúncia apresentada pelo Ministério Público detalha a natureza grave das infrações, que vão desde a importunação sexual até o estupro de vulnerável, crime que se configura quando a vítima não tem capacidade de oferecer resistência ou consentir. A amplitude temporal dos supostos crimes, estendendo-se por quase duas décadas, ressalta a complexidade e a persistência das alegações.
A investigação aponta que as vítimas, todas do gênero masculino, teriam sido alvo das condutas ilícitas enquanto mantinham algum tipo de vínculo acadêmico ou de estudo com o então professor. A formalização da denúncia pelo MPSP é um passo crucial que leva o caso para a esfera judicial, onde as provas serão analisadas e o processo seguirá seu curso legal.
Repercussão Nacional e Ação Institucional da USP
O caso ganhou visibilidade em âmbito nacional em dezembro de 2024, após uma reportagem investigativa do site Intercept Brasil trazer à tona relatos de supostas violências sexuais atribuídas ao professor. As denúncias divulgadas na época descreviam uma gama de episódios, que, segundo as vítimas, variavam desde beijos forçados até atos de estupro, evidenciando a gravidade das acusações.
Em resposta à repercussão e às denúncias, a Universidade de São Paulo agiu no mesmo mês em que os relatos foram publicados. A instituição instaurou uma sindicância interna para investigar os fatos e determinou o afastamento cautelar de Mascaro por um período de 60 dias. Essas medidas refletem a seriedade com que a universidade tratou as alegações, buscando apurar as responsabilidades e garantir a segurança de seu ambiente acadêmico.
Padrão de Conduta e Abuso de Influência
As investigações e os relatos das vítimas indicam um padrão na forma como o professor se aproximava de seus alvos. Segundo as denúncias, Alysson Mascaro teria utilizado sua posição e influência no meio jurídico para estabelecer contato com as vítimas, muitas vezes oferecendo promessas de indicações e oportunidades profissionais. Essa estratégia, conforme as acusações, criava um ambiente de vulnerabilidade e dependência, facilitando a prática dos crimes.
O uso de poder e prestígio acadêmico e profissional para cooptar e manipular é um elemento central nas alegações, sublinhando a dimensão do abuso de confiança. A denúncia do Ministério Público agora busca levar à justiça a apuração dessas condutas e a responsabilização pelos atos imputados.
Para mais informações sobre a atuação do Ministério Público, acesse o site oficial do MPSP.
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