terça-feira , 2 junho 2026
Foto: Divulgação/Receita Federal
Foto: Divulgação/Receita Federal

Governo do Rio de Janeiro avança com desapropriação de terreno da Refit por dívida bilionária

O Governo do Rio de Janeiro deu um passo significativo na recuperação de valores devidos ao Estado ao anunciar a desapropriação do terreno ocupado pela Refit, uma refinaria que figura como a maior devedora de impostos do Brasil. A medida, comunicada pelo governador em exercício, Ricardo Couto, representa uma ação direta para mitigar o vultoso débito fiscal acumulado pela empresa.

A decisão surge em um cenário de dívidas elevadas, que impactam diretamente a arrecadação estadual. A área em questão, de grande valor estratégico, já atraiu o interesse de grandes players do setor de energia, indicando um potencial desfecho para a complexa situação financeira e legal envolvendo a refinaria.

Avanço na desapropriação de terreno da Refit

A iniciativa de desapropriação do terreno da Refit foi confirmada pelo governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto. Esta ação é uma resposta direta à situação da refinaria, que se consolidou como a maior devedora de impostos no país, acumulando um passivo fiscal de proporções bilionárias.

A decisão governamental visa garantir que o Estado recupere parte dos valores devidos, utilizando o patrimônio da empresa como forma de compensação. A medida reflete a postura das autoridades em combater a sonegação fiscal e assegurar a aplicação da legislação tributária.

O vultoso débito fiscal e o modelo de pagamento

O montante da dívida da Refit é expressivo, totalizando R$ 14,3 bilhões apenas em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no Estado do Rio de Janeiro. Considerando os impostos devidos entre Rio e São Paulo, o valor acumulado pelo grupo atinge a marca de R$ 30 bilhões, evidenciando a magnitude do passivo.

As cifras exatas para a desapropriação ainda estão em processo de cálculo. Contudo, foi estabelecido que não haverá pagamento em dinheiro ao proprietário do terreno, o empresário Ricardo Magro. O valor da desapropriação será integralmente abatido da dívida acumulada pelo grupo, conforme informações divulgadas pelo governo fluminense, transformando a medida em uma forma de recuperação de crédito.

Interesse estratégico da Petrobras na área

A notícia da desapropriação despertou o interesse de grandes empresas do setor. O governador em exercício, Ricardo Couto, já comunicou a iniciativa à presidente da Petrobras, Magda Chambriard. A executiva demonstrou interesse na área, vislumbrando a possibilidade de ampliar a capacidade de refino da estatal no local.

Além da Petrobras, o chefe do Executivo estadual também manteve conversas recentes com outros possíveis interessados na aquisição do terreno. A localização e a infraestrutura existente na área da refinaria conferem-lhe um valor estratégico considerável para operações de refino e distribuição de combustíveis.

A busca internacional pelo proprietário da Refit

Paralelamente à desapropriação, o empresário Ricardo Magro, dono do grupo Refit, encontra-se em uma situação legal delicada. A Polícia Federal (PF) solicitou a inclusão do nome de Magro na Difusão Vermelha da Interpol, uma medida que o coloca na lista internacional de procurados pela organização policial, sediada na França.

A solicitação da PF ocorreu em cumprimento a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O empresário é investigado por suspeita de participação em fraudes fiscais e esquemas de sonegação de impostos, sendo apontado pelos investigadores como o maior sonegador do país. A procura por Magro abrange 196 países, reforçando o alcance da investigação.

Contexto da Operação Sem Refino

A inclusão de Ricardo Magro na lista da Interpol e as ações contra a Refit fazem parte de uma operação mais ampla, denominada Operação Sem Refino. Esta investigação visa desarticular esquemas de fraude fiscal e sonegação de impostos em larga escala.

No âmbito da mesma operação, o ministro Alexandre de Moraes também autorizou mandados de busca e apreensão contra o ex-governador Claudio Castro, indicando a complexidade e o alcance das investigações que envolvem figuras proeminentes e o setor de refino no estado.

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