terça-feira , 2 junho 2026
desvio de verba pública. O dinheiro indicado pelo parlamentar foi enviado origin
Reprodução Intercept

Emenda de Mario Frias financia empresas de réu por fraude e desvio de verbas

Destinação de verba pública para rede de empresas suspeitas

Uma emenda parlamentar no valor de R$ 1 milhão, indicada pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP), tornou-se o centro de uma investigação sobre o uso irregular de recursos públicos. O montante foi originalmente destinado ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), uma organização não governamental vinculada a Karina Ferreira da Gama, empresária responsável pela produtora do filme “Dark Horse”.

Na execução do projeto, que visava promover letramento digital em escolas, a maior parte do recurso foi redirecionada. Conforme dados da prestação de contas, R$ 700 mil foram subcontratados para empresas ligadas a Dayvid Moreira Medeiros, réu denunciado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) por crimes que incluem fraude em licitação e desvio de dinheiro público.

Conexões entre subcontratadas e histórico de irregularidades

A estrutura de repasses aponta que R$ 400 mil foram destinados à Dinâmica Editora e Distribuidora de Livros, de propriedade de Dayvid Medeiros. Outros R$ 300 mil foram transferidos ao Instituto Super Poder Educacional, gerido por Pamella Cristiane Dias. Documentos e registros digitais indicam que Pamella Dias atua como coordenadora editorial em outra empresa de Medeiros, evidenciando uma rede de interesses cruzados.

O histórico de Dayvid Medeiros é marcado por investigações do Gaeco. Em 2016, uma distribuidora de sua propriedade firmou um contrato de R$ 1,3 milhão com o Detran-PB para a aquisição de cartilhas educativas. O negócio, realizado sem licitação sob o argumento de exclusividade, é apontado pelo MPPB como fraudulento, baseando-se em documentos apócrifos para justificar a dispensa de concorrência pública.

Suspeitas de livros fantasmas e falta de transparência

A aplicação dos recursos federais em projetos educacionais levanta questionamentos sobre a entrega efetiva dos materiais. Relatos indicam que livros didáticos que deveriam ser entregues em escolas de Pirassununga, no interior de São Paulo, nunca chegaram ao destino, configurando o que investigadores classificam como “livros fantasmas”.

O Instituto Conhecer Brasil, que recebeu a emenda de Mario Frias, também é alvo de apurações da Polícia Civil de São Paulo. A entidade está sob investigação por supostos desvios em um contrato de R$ 108 milhões anuais com a prefeitura de Ricardo Nunes, destinado à instalação de pontos de Wi-Fi na capital paulista. As autoridades apuram a antecipação de R$ 26 milhões sem a devida contrapartida de serviços.

Contexto de investigações e o papel das emendas

A presença de empresas pouco conhecidas no mercado editorial em grandes eventos, como a Bett Brasil 2026, tem sido utilizada como estratégia para viabilizar contratos com gestores públicos. Contudo, a falta de tradição dessas editoras no setor educacional contrasta com os vultosos valores recebidos via emendas parlamentares e contratos diretos.

O caso reforça o escrutínio sobre a destinação de verbas públicas para ONGs e empresas com histórico de irregularidades. A investigação jornalística segue em paralelo às ações dos órgãos de controle, que buscam rastrear o caminho do dinheiro e a real finalidade dos projetos financiados pelo erário.

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