terça-feira , 9 junho 2026
Foto: Tauany Cattan/Revista Oeste
Foto: Tauany Cattan/Revista Oeste

Estudantes da USP aprovam encerramento de greve após meses de paralisação

O fim da paralisação na Universidade de São Paulo

Os estudantes da Universidade de São Paulo (USP) decidiram, nesta segunda-feira, 8, aprovar a recomendação para encerrar a greve geral que mobilizava a categoria. A decisão foi tomada em assembleia geral, momento em que o movimento perdia força nos principais centros de ensino da instituição. Com a deliberação, o processo de retorno às atividades acadêmicas será definido individualmente por cada curso, que realizará votações próprias para determinar a retomada das aulas.

A paralisação, que teve início em 14 de abril, enfrentava um esvaziamento progressivo nas últimas semanas. Redutos acadêmicos de peso, como os cursos de Direito, Medicina e a Escola Politécnica, já haviam votado anteriormente pelo fim do boicote. Dados da Reitoria indicam que, antes mesmo da assembleia geral, 24 faculdades já operavam com normalidade, enquanto apenas 19 unidades ainda mantinham algum nível de paralisação.

Origem e demandas do movimento estudantil

O movimento foi liderado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) com pautas focadas em assistência social e infraestrutura. A principal reivindicação era o aumento do auxílio de permanência estudantil para R$ 1.804, valor equiparado ao salário mínimo vigente em São Paulo. A reitoria, contudo, apresentou uma proposta de reajuste baseada na inflação, elevando o benefício de R$ 885 para R$ 912, oferta que foi rejeitada pelos representantes dos alunos.

Além da questão financeira, os manifestantes apontavam problemas estruturais na universidade. As queixas incluíam falhas nos restaurantes universitários, o estado de conservação da moradia estudantil e a carência de servidores no Hospital Universitário. Embora o protesto tenha contado com apoio inicial de docentes e funcionários, os servidores técnico-administrativos optaram por encerrar a mobilização semanas antes, após firmarem um acordo salarial com a administração.

Posicionamento da reitoria e contexto político

O reitor da USP, Aluisio Segurado, manteve o posicionamento de que os canais de diálogo permaneceram abertos durante todo o período de impasse. Em declarações sobre o caso, o reitor afirmou que as lideranças estudantis de esquerda utilizaram a mobilização dentro do campus como uma estratégia de desgaste político contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

O desfecho da greve marca o encerramento de um ciclo de tensões que impactou o calendário acadêmico da maior universidade do país. Agora, a expectativa da administração central é que a normalização das atividades ocorra de forma célere, garantindo a conclusão do semestre letivo para a comunidade universitária.

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