Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), obtido pelo jornal Folha de S.Paulo, revelou que o Governo de Goiás movimentou a expressiva quantia de R$ 1,36 bilhão por meio de uma fintech. A empresa, identificada como BK Instituição de Pagamento, conhecida no mercado como BK Bank, está sob investigação da Polícia Federal por ser suspeita de atuar como um banco paralelo para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). As transações ocorreram durante os mandatos do ex-governador Ronaldo Caiado, que comandava o Estado no período.
A gravidade das acusações levou à deflagração da Operação Carbono Oculto pela Polícia Federal em agosto de 2025, visando desarticular o suposto esquema. As investigações apontam para fraudes significativas na atuação da instituição financeira, levantando sérias questões sobre a fiscalização e a segurança das operações financeiras envolvendo recursos públicos estaduais.
Movimentação Financeira Sob Análise Federal
As movimentações financeiras suspeitas, totalizando R$ 1,36 bilhão, foram realizadas pela Agência de Fomento de Goiás (GoiásFomento) para a BK Instituição de Pagamento. Esses envios de recursos ocorreram entre outubro de 2021 e agosto de 2025, período em que o então governador Ronaldo Caiado estava à frente do Executivo estadual. Ele deixou o cargo em 31 de março deste ano para disputar a Presidência da República.
A fintech era responsável por gerenciar os cartões sociais de programas estaduais de transferência de renda, que atendem cerca de 880 mil beneficiários em Goiás. A empresa lucrava com taxas de até 6% cobradas dos comerciantes credenciados, e dividia esses ganhos igualmente com o governo goiano até o ano de 2024, conforme detalhado no relatório do Coaf.
Mecanismo de Operação e Alertas do Coaf
A atuação da BK Bank no gerenciamento de programas sociais estaduais permitia o fluxo de grandes volumes de dinheiro. No entanto, a natureza dessas transações levantou bandeiras vermelhas no sistema de controle financeiro nacional. O Coaf, órgão federal responsável por identificar e coibir a lavagem de dinheiro, emitiu 22 alertas sobre as operações entre a agência goiana e a fintech.
Esses alertas indicam fortes indícios de lavagem de dinheiro nas contas examinadas, sinalizando um padrão de movimentações financeiras atípicas que fugiam do perfil esperado para uma instituição de pagamento que opera com recursos públicos. A recorrência e o volume das transações justificaram a intervenção das autoridades federais.
Defesa Governamental e Medidas Adotadas
Em resposta às investigações, a gestão estadual de Goiás informou que a contratação da BK Bank ocorreu em 2020 por meio de um credenciamento regular. Na época da formalização do contrato, a empresa operava legalmente, possuindo autorização do Banco Central para suas atividades. Essa informação é crucial para a defesa do governo, que alega ter seguido os trâmites legais vigentes.
Após a deflagração da Operação Carbono Oculto em agosto de 2025, o Governo de Goiás agiu prontamente, suspendendo todas as transações financeiras com a instituição. Adicionalmente, a agência goiana adotou medidas judiciais e administrativas para proteger o patrimônio público, buscando mitigar quaisquer prejuízos decorrentes da situação. A nota do Executivo estadual ressalta que o contrato possuía seguro e, até o momento, não foram constatados prejuízos ao erário.
Impacto da Operação Carbono Oculto
A Operação Carbono Oculto não se restringiu apenas ao estado de Goiás. A repercussão das investigações levou outros órgãos públicos federais e o governo do Paraná a também romperem seus contratos com a fintech investigada. Este movimento demonstra a seriedade das acusações e a preocupação generalizada com a integridade das operações financeiras no setor público.
A situação reforça a importância da vigilância contínua sobre as empresas que lidam com recursos públicos, especialmente aquelas que operam em setores sensíveis como o de pagamentos e assistência social. O caso da BK Bank serve como um alerta para a necessidade de aprimoramento dos mecanismos de controle e fiscalização, a fim de evitar que recursos destinados a programas sociais sejam desviados ou utilizados para fins ilícitos.
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