O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou a Operação Juros Zero, uma ação de grande envergadura que investiga um suposto esquema de fraudes na folha de pagamento de servidores públicos do Distrito Federal. A operação, iniciada na manhã de uma sexta-feira, 19 de junho, tem como alvos instituições financeiras e órgãos governamentais, levantando questões sobre a gestão e fiscalização dos recursos públicos.
Entre os principais investigados estão o Banco de Brasília (BRB), sua subsidiária BRB Serviços S.A., e a Secretaria de Economia do Distrito Federal. A ação do MPDFT visa apurar irregularidades que teriam impactado diretamente os salários de milhares de funcionários, aposentados e pensionistas do Governo do Distrito Federal (GDF), com desdobramentos que se estendem por diferentes estados brasileiros.
Operação Juros Zero: alvos e escopo da investigação de fraude
A Operação Juros Zero, conduzida pelo MPDFT, mobilizou agentes para cumprir 50 mandados de busca e apreensão em diversas localidades. As ordens judiciais foram expedidas pelo Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios e estão sendo executadas não apenas no Distrito Federal, mas também em Curitiba, no Paraná, e em São Paulo, onde fica a sede da empresa PicPay.
Além do BRB, da BRB Serviços S.A. e da Secretaria de Economia do Distrito Federal, as investigações também miram o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF), a empresa de pagamentos digitais PicPay e diversas associações que teriam alguma ligação com o suposto esquema. A apuração se estende a atuais e ex-dirigentes das instituições envolvidas, incluindo nomes como Ney Ferraz Júnior e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, que já se encontra detido.
Irregularidades na folha de pagamento: o papel do PicPay e do TCDF
As investigações do MPDFT tiveram origem a partir de uma inspeção detalhada realizada pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF). O órgão de controle identificou irregularidades significativas em operações relacionadas à folha de pagamento dos servidores do DF, focando especialmente nos descontos de empréstimos consignados.
Segundo o TCDF, o PicPay, empresa ligada aos irmãos Batista, teria realizado descontos considerados irregulares nos salários de servidores ativos, aposentados e pensionistas do GDF. Essas deduções estariam associadas a um serviço de antecipação salarial para o funcionalismo público, que foi objeto de um contrato firmado entre o PicPay e a Secretaria de Economia do DF em setembro de 2024. O tribunal apontou um “crescimento acentuado e alto volume em nova modalidade de desconto” diretamente na folha de pagamento para amortizar esse serviço.
Impacto financeiro e as medidas de controle contra a fraude
Os valores envolvidos nas supostas fraudes são expressivos. Em 2024, os descontos irregulares somaram R$ 11,7 milhões. Esse montante cresceu exponencialmente, atingindo R$ 70 milhões entre janeiro e agosto de 2025. O relatório do TCDF estima que, no período de 2024 a 2025, o PicPay descontou um total de R$ 81,7 milhões dos salários dos servidores do GDF.
Diante da gravidade das irregularidades, o TCDF agiu em fevereiro, determinando a suspensão de novos descontos em folha vinculados ao banco digital. A decisão foi motivada por inconsistências nas taxas de antecipação salarial. Desde 2024, o PicPay era a única empresa autorizada a realizar descontos compulsórios na folha do GDF, com a operação sendo executada pela BRB Serviços, uma subsidiária do Banco de Brasília.
A continuidade da Operação Juros Zero e as futuras etapas das investigações prometem trazer mais clareza sobre a extensão das fraudes e a responsabilização dos envolvidos. A ação reforça o compromisso das autoridades em combater desvios e garantir a integridade dos sistemas de pagamento do serviço público. Para mais informações sobre as ações do Ministério Público, acesse o site oficial do MPDFT.
Lado Direito