A Polícia Federal (PF) revelou, por meio de um relatório sigiloso, que o Banco de Brasília (BRB) teve participação ativa em um esquema de fraudes financeiras que movimentou R$ 12 bilhões, envolvendo o Banco Master. Contrariando a narrativa de que seria uma vítima, a corporação afirma que o BRB adquiriu carteiras falsas e estava ciente das irregularidades desde o início das transações. As descobertas aprofundam a investigação sobre crimes financeiros e apontam para um envolvimento deliberado da instituição pública.
O relatório da PF, entregue em abril ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, foi fundamental para justificar o pedido de prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Ele é acusado de ter recebido R$ 146 milhões em propinas, na forma de imóveis, para facilitar as operações fraudulentas. A documentação compilada pelos investigadores detalha como o BRB teria ignorado alertas e mantido as transações mesmo diante de evidências claras de irregularidades.
Relatório da PF detalha envolvimento do BRB em operações suspeitas
As provas reunidas pela Polícia Federal, que incluem depoimentos de dirigentes, anotações, documentos apreendidos e relatórios financeiros, indicam que o BRB tinha conhecimento das suspeitas de fraudes desde o segundo semestre de 2024. Apesar disso, o banco público optou por prosseguir com as operações. Os investigadores ressaltam que o BRB não agiu como uma vítima da estratégia fraudulenta do Banco Master, mas sim como um participante ativo.
O documento da PF destaca que os gestores do BRB mantiveram as operações mesmo após terem ciência formal do descumprimento de cláusulas contratuais. Isso incluía falhas no repasse financeiro, a inexistência de comprovantes de averbação e diversas outras fragilidades operacionais. Essa conduta, segundo a corporação, contraria a diligência esperada na gestão contratual de uma instituição financeira.
Auditoria interna do BRB ignorou alertas sobre fraudes
Uma auditoria interna do BRB, cujo relatório foi obtido pela PF durante a Operação Compliance Zero, revelou que o Banco Master montou carteiras com e-mails falsos e idades fictícias. Surpreendentemente, a gestão de Paulo Henrique Costa nunca havia compartilhado essa investigação interna com a polícia. Esse conjunto de fatos, conforme a PF, evidencia de maneira robusta a participação do BRB na condução das práticas irregulares.
O ex-diretor jurídico do BRB, Jaques Maurício Ferreira Veloso, prestou depoimento e afirmou que, a partir de março de 2025, recomendou que as compras fossem submetidas ao Conselho de Administração do banco. Naquele mês, o BRB havia feito uma oferta para adquirir uma fatia do Master, mas as operações eram omitidas do conselho. Veloso relatou que, com o tempo, os pareceres intensificaram as recomendações de cautela, sugerindo que as operações só fossem realizadas após a regularização dos fluxos de repasses financeiros e a checagem dos lastros.
Ex-presidente Paulo Henrique Costa centralizava decisões e ignorava riscos
A investigação da PF apurou que a diretoria colegiada do BRB, composta por aliados de Paulo Henrique Costa, centralizava as decisões, recebendo a documentação apenas no dia da votação. Diálogos interceptados revelaram pressão para a assinatura de contratos em intervalos de minutos, sem tempo hábil para análise técnica. O relatório descreve essa situação como incompatível com processos prudenciais e indicativa de uma operação temerária.
Celulares do banqueiro Daniel Vorcaro indicaram que o Banco Master dependia dos aportes do BRB para manter sua liquidez desde meados de 2024. Além disso, anotações da ex-diretora de Riscos do BRB, Luana de Andrade Ribeiro, confirmam que Costa recebeu alertas em diversas reuniões. Em 3 de julho de 2025, Luana registrou em sua agenda que 90% das compras estavam “fora da política”. Posteriormente, em 11 de julho de 2025, ela anotou que o presidente sugeriu “salvar” o Master, afirmando que “faz-se necessário efetivar as compras de carteiras, afirmando que esses créditos foram verificados e que se não houver, o Master vai quebrar”.
A agenda de Luana também documenta a dificuldade em defender a operação, uma vez que o BRB substituía carteiras suspeitas por outros ativos do Master que também apresentavam inconsistências. A PF conclui que esses registros demonstram a continuidade da aquisição de ativos do Banco Master, mesmo diante de pareceres jurídicos contrários desde abril de 2025, reforçando a tese de participação ativa do BRB nas fraudes.
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