terça-feira , 9 junho 2026
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Reprodução Revistaoeste

Desvio de combustível: quadrilha é presa por furto em oleoduto no DF com túnel e oficina falsa

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desarticulou um engenhoso esquema de furto de combustível em Samambaia Norte, resultando na prisão de três homens. O grupo utilizava uma oficina mecânica de fachada para ocultar um túnel subterrâneo que dava acesso direto a um oleoduto da Transpetro, por onde desviavam grandes volumes de produto. As autoridades estimam que, apenas na última semana de operação, os criminosos tenham subtraído entre 90 mil e 100 mil litros de combustível.

A ação policial, parte da Operação Estige, revelou a sofisticação da quadrilha, que operava em um imóvel alugado às margens da DF-180. O local, supostamente destinado a uma oficina mecânica, servia como cobertura para a complexa estrutura de desvio, que representava não apenas um prejuízo financeiro, mas também um grave risco à segurança da população e ao meio ambiente.

Desarticulação de Esquema Clandestino de Combustível

A investigação da Polícia Civil do Distrito Federal culminou na prisão em flagrante de três indivíduos suspeitos de envolvimento no furto de combustível. A Operação Estige foi deflagrada após meses de apuração sobre a atividade incomum no local. O imóvel, que supostamente abrigava uma oficina mecânica, foi identificado como o ponto central da operação criminosa.

Os agentes da PCDF descobriram que o grupo havia alugado o espaço há aproximadamente três meses. Durante esse período, os criminosos escavaram um túnel que se estendia por cerca de 5 metros de comprimento, com 2,5 metros de profundidade e 1 metro de largura. Essa passagem subterrânea permitia o acesso direto à tubulação da Transpetro, que transporta combustíveis de Paulínia, em São Paulo, até o Distrito Federal.

A Sofisticação do Furto Através de Túnel Subterrâneo

A estrutura montada pela quadrilha demonstrava um alto grau de planejamento e execução. Dentro do túnel, os suspeitos perfuraram o oleoduto da Transpetro e instalaram uma válvula de controle. Conectaram, então, uma mangueira de alta pressão, utilizada para transferir o combustível diretamente para o interior do imóvel, onde era armazenado e, posteriormente, distribuído.

Um dos presos já possuía histórico criminal por tentativa de furto de combustível em circunstâncias similares, ocorrida há dois anos, o que sugere a especialização do grupo nesse tipo de crime. Os três homens foram autuados em flagrante por furto qualificado, associação criminosa, crime ambiental e crime contra a incolumidade pública, refletindo a gravidade das infrações cometidas.

Riscos à Segurança Pública e Impactos Ambientais

Além do prejuízo financeiro causado à Transpetro, a intervenção clandestina no oleoduto gerou sérios riscos à população da região. O delegado Fernando Fernandes, responsável pela investigação, destacou que o nome da operação, Estige, faz alusão ao caráter subterrâneo da ação, remetendo ao rio da mitologia grega que separa o mundo dos vivos do submundo.

A Defesa Civil do Distrito Federal foi acionada para isolar áreas próximas ao imóvel e realizar vistorias, avaliando possíveis impactos da escavação em construções vizinhas. Técnicos da Transpetro alertaram que uma eventual explosão no local poderia afetar uma área de até 3 quilômetros de extensão, evidenciando o perigo iminente. A polícia também investiga os potenciais danos ambientais decorrentes da perfuração da tubulação e do manuseio inadequado de substâncias inflamáveis.

A Busca por Receptadores e Vínculos com o Crime Organizado

Com as prisões efetuadas, a investigação agora se concentra na identificação dos compradores do combustível desviado. Os policiais trabalham para descobrir a rede de receptação que absorvia a carga furtada, bem como a possível participação de outras pessoas na distribuição do produto. Há apurações sobre o envolvimento de empresas de transporte e postos de combustíveis, embora, até o momento, não existam acusações formais contra estabelecimentos ou empresários.

A Transpetro, subsidiária da Petrobras, informou por meio de nota que acompanha as investigações e se considera vítima da ação criminosa. A empresa garantiu que o incidente não provocou interrupções no abastecimento de combustíveis do Distrito Federal. A polícia também busca esclarecer se o grupo mantinha ligações com organizações criminosas, uma suspeita levantada pela complexidade da estrutura montada para o furto e pela grande quantidade de combustível desviada em um curto período.

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