terça-feira , 2 junho 2026
Foto: Divulgação/USP
Foto: Divulgação/USP

Greve na Faculdade de Direito da USP chega ao fim após intensa negociação estudantil

Após 35 dias de paralisação, os estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) decidiram encerrar a greve que interrompeu as atividades de graduação na unidade. A votação, realizada na noite da última sexta-feira, culminou com 370 votos favoráveis ao fim da paralisação contra 324 pela continuidade do movimento. A decisão marca o encerramento de um período de intensas discussões e reivindicações que mobilizaram a comunidade acadêmica do Largo de São Francisco, no centro da capital paulista.

A greve, iniciada em abril, teve como pautas centrais a permanência estudantil, a melhoria da estrutura física da faculdade e a ampliação das políticas afirmativas. O movimento gerou debates significativos sobre as condições de ensino e o apoio aos alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica, culminando em negociações entre a diretoria da faculdade, a reitoria da USP e os representantes estudantis.

Voto decisivo e o fim de uma paralisação prolongada

A assembleia estudantil que selou o destino da greve foi o ponto culminante de mais de um mês de mobilização. A votação apertada reflete a complexidade das pautas e a diversidade de opiniões dentro do corpo discente. Com o resultado, a expectativa é que as atividades letivas da graduação sejam retomadas em breve, permitindo que os estudantes deem continuidade aos seus cursos após a interrupção.

A paralisação teve início no dia seguinte a uma assembleia organizada pelo Centro Acadêmico XI de Agosto, em 23 de abril, quando a greve foi aprovada por uma margem significativa. Desde então, as aulas foram suspensas, impactando diretamente a rotina acadêmica dos alunos de graduação, embora atividades de pós-graduação, defesas de teses e consultas à biblioteca tenham sido mantidas.

Reivindicações estudantis: do refeitório às políticas afirmativas

As demandas apresentadas pelos estudantes abrangiam uma série de questões consideradas cruciais para o bem-estar e o desempenho acadêmico. Entre as principais, destacavam-se as melhorias no refeitório universitário e nas instalações do prédio histórico da faculdade. Um relatório detalhado foi entregue à diretoria, apontando problemas como carteiras quebradas, goteiras, fiação exposta, mofo e buracos nas paredes, inclusive no salão nobre.

Além das questões estruturais, o movimento estudantil pleiteava um aumento significativo no benefício de permanência estudantil, buscando equipará-lo ao salário mínimo paulista, que atualmente é de R$ 1,8 mil. A ampliação de bolsas acadêmicas e uma implementação mais eficaz das ações afirmativas também figuravam entre as prioridades dos grevistas, visando garantir maior inclusão e suporte aos alunos.

O impasse financeiro e as propostas da reitoria

Um dos pontos de maior divergência durante as negociações foi o Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), destinado a alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Enquanto a reitoria da USP propôs um reajuste anual baseado no índice de inflação da cidade de São Paulo, o que representaria um aumento aproximado de R$ 31 no auxílio integral, passando de R$ 885 para R$ 912, os estudantes defendiam um reajuste mais substancial, próximo ao valor do salário mínimo paulista.

Em resposta às demandas, a universidade também apresentou outras propostas, como a criação de grupos de trabalho para avaliar a qualidade dos restaurantes universitários, a contratação de novos funcionários e a ampliação da oferta de refeições. Adicionalmente, foram sugeridos grupos para discutir a implementação de cotas para pessoas trans e indígenas nos processos seletivos, além de outras pautas relacionadas à permanência e ao uso dos espaços acadêmicos.

Escalada do movimento e a intervenção policial

Durante o período da greve, o movimento estudantil intensificou suas ações para pressionar por avanços nas negociações. Em 7 de maio, estudantes ocuparam o prédio da reitoria da USP, localizado na zona oeste da capital, alegando que a medida buscava forçar a administração a retomar um diálogo que havia sido interrompido dias antes. A diretora da Faculdade de Direito, Ana Elisa Liberatore Bechara, afirmou que a gestão mantinha uma “postura de permanente diálogo e mobilização” e “escuta ativa dos estudantes” para buscar soluções.

Três dias após a ocupação, na madrugada de 10 de maio, a Polícia Militar desocupou o prédio da reitoria em uma operação que mobilizou cerca de 35 policiais. Quatro estudantes foram detidos e encaminhados a uma delegacia. Manifestantes relataram o uso de “bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes” durante a ação policial. Este episódio gerou forte repercussão e críticas por parte de diversas entidades e faculdades da USP.

O impacto da greve e a retomada das atividades

Ao longo dos 35 dias de paralisação, os prejuízos para a graduação foram inegáveis, conforme comunicado pela direção da faculdade. A suspensão das disciplinas impactou o calendário acadêmico e a progressão dos estudos de muitos alunos. No entanto, o Centro Acadêmico XI de Agosto organizou uma programação paralela, que incluiu rodas de conversa, exibições de filmes, campeonatos de pebolim e xadrez, além de assembleias contínuas, mantendo o engajamento dos estudantes.

Com o encerramento da greve, a comunidade acadêmica da Faculdade de Direito da USP se prepara para a retomada das atividades letivas. A expectativa é que as negociações e os grupos de trabalho propostos pela reitoria avancem na busca por soluções duradouras para as reivindicações estudantis, marcando um novo capítulo para a instituição. Para mais informações sobre educação superior no Brasil, consulte uma fonte confiável sobre educação.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *