terça-feira , 2 junho 2026
Foto: Divulgação/USP
Foto: Divulgação/USP

Greve na Faculdade de Direito da USP impacta economia do comércio local

Após 35 dias de paralisação, a greve dos estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) chegou ao fim nesta sexta-feira, 30. O movimento, que teve início em 24 de abril, não apenas interrompeu as atividades acadêmicas, mas gerou um efeito cascata negativo sobre os estabelecimentos comerciais situados no entorno da instituição, na região central da capital paulista.

usp: cenário e impactos

O ecossistema local, composto por serviços de alimentação, livrarias e transporte, depende majoritariamente da circulação diária dos estudantes. Com o prédio tomado por piquetes que impediam o acesso às salas de aula, a ausência do público universitário resultou em uma queda drástica no faturamento dos comerciantes da área.

Queda acentuada no movimento e prejuízos financeiros

Relatos de trabalhadores da região apontam que a paralisação esvaziou o comércio local. Um dos estabelecimentos, que atende majoritariamente o público acadêmico, registrou uma redução de 80% no volume de clientes durante o período de greve. Em outro caso, um comerciante informou que o movimento diário despencou de 150 para apenas 30 pessoas.

A preocupação com a sustentabilidade financeira dos negócios tornou-se evidente. Com custos fixos elevados, como aluguéis que chegam a R$ 20 mil, os vendedores destacaram a dificuldade de manter a operação em um calendário que já é limitado por feriados e férias, sendo ainda mais prejudicado por interrupções prolongadas.

Divisão interna e desmobilização estudantil

O apoio ao movimento apresentou um declínio progressivo ao longo das semanas. Dados compilados por estudantes indicam que, desde a primeira Assembleia Geral Extraordinária, a aprovação da greve caiu ao menos 60%. Enquanto a primeira votação reuniu 902 votos favoráveis, a última contagem registrou apenas 325 adesões.

A diretoria da faculdade realizou, na quinta-feira 28, uma pesquisa de opinião virtual que reforçou o cenário de descontentamento. O levantamento indicou que 766 estudantes são contrários à paralisação, superando significativamente os 325 que se mostraram favoráveis. Críticos ao modelo de votação presencial argumentam que o formato inibe a participação de muitos alunos.

Expansão da paralisação para o corpo docente

O cenário de instabilidade na universidade ganhou um novo capítulo na segunda-feira, 25, quando os professores da USP decidiram aderir à greve. A decisão, tomada em assembleia pela Associação dos Docentes da USP, foi motivada por reivindicações de reajuste salarial, ampliando o impacto da paralisação para cerca de 100 cursos na instituição.

A situação reflete um momento de tensão nas universidades estaduais paulistas, com movimentos similares ocorrendo na Unesp e na Unicamp. Para mais informações sobre o contexto das paralisações acadêmicas, consulte o portal Revista Oeste.

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