Um incêndio de grandes proporções devastou a Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes, um marco histórico e religioso em Flores da Cunha, na Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul. O incidente, ocorrido na madrugada da última segunda-feira, deixou a estrutura centenária em ruínas, com o telhado e grande parte do interior consumidos pelas chamas. A comunidade local, profundamente abalada, agora se volta para a investigação das causas e a esperança de reconstrução.
A edificação, cuja construção foi iniciada em 1904 e concluída em 1914, era um símbolo da fundação das primeiras comunidades da região e uma das igrejas em estilo gótico mais antigas do estado. Apesar da destruição, um elemento em particular trouxe um alento aos fiéis: uma imagem de Jesus Cristo foi retirada intacta do local, um fato que muitos consideram um milagre em meio à tragédia.
A devastação da igreja centenária em Flores da Cunha
O fogo consumiu integralmente o telhado da Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes, que desabou e comprometeu severamente o interior do templo, incluindo os bancos utilizados pelos fiéis. A cena, que revelou a magnitude da destruição, chocou moradores e autoridades.
Em meio aos escombros e à fuligem, as paredes da igreja permaneceram de pé, e um altar principal, embora coberto pela sujeira, resistiu. Contudo, o que mais impressionou e emocionou a todos foi o resgate de uma imagem de Jesus Cristo, encontrada sem danos significativos pelos bombeiros.
O frei Jadir Segala, responsável pela paróquia, expressou a profunda tristeza da comunidade. “Estamos arrasados, sem saber o que fazer”, declarou, conforme reportagem do portal g1. “Mas a fé não foi queimada e se mantém.” Ele descreveu a sobrevivência da imagem como “um milagre de Deus”, um sinal de esperança em um momento de desolação.
Investigação em andamento e suspeitas iniciais
O Corpo de Bombeiros está conduzindo uma investigação para determinar a origem exata do incêndio, que ainda não possui uma causa definida. As autoridades trabalham para coletar evidências e esclarecer os fatos que levaram à tragédia.
Frei Jadir Segala levantou a hipótese de um possível curto-circuito no telhado, que estava passando por reformas. Segundo ele, a estrutura original do telhado estava danificada e apresentava infiltrações, o que motivou a busca por recursos para os reparos.
A reforma estava em fase final de conclusão, um fato que adiciona um tom ainda mais dramático ao incidente. “Era tudo original, a gente estava reformando, o coberto dela estava bem danificado, estava entrando muita chuva”, explicou o frei. “Quando estamos chegando ao final, dá essa tragédia.” Felizmente, a igreja estava fechada e vazia no momento em que as chamas se alastraram, evitando vítimas.
Um símbolo de fé e história para a comunidade
A Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes não era apenas um local de culto, mas um patrimônio cultural de inestimável valor para Flores da Cunha. Sua arquitetura em estilo gótico, com construção iniciada em 1904 e finalizada em 1914, a tornava uma das mais antigas e imponentes do Rio Grande do Sul, conforme informações da Secretaria de Turismo do município.
O altar-mor, uma peça importada da Itália, abrigava em seus três nichos as imagens de Nossa Senhora de Lourdes, São Pedro e São José, refletindo a influência dos padres capuchinhos franceses e a origem das primeiras comunidades locais. Ao lado da igreja, erguia-se um majestoso campanário de pedra basáltica, construído entre 1946 e 1949 com mais de 11 mil pedras, atingindo 55 metros de altura.
A fé da comunidade era celebrada anualmente na tradicional procissão de Corpus Christi, com seus tapetes coloridos de serragem, e em eventos como a Romaria Vocacional Frei Salvador, que em 2026 completaria sua 36ª edição, homenageando os 80 anos de dedicação religiosa do venerável frei. A destruição da igreja representa uma perda imensa para a memória e a identidade cultural da região, mas a resiliência da fé local já inspira planos de reconstrução.
Lado Direito