domingo , 21 junho 2026
Foto: Divulgação/ BRB
Foto: Divulgação/ BRB

Polícia Federal detecta padrão financeiro em investigações de alto perfil

A Polícia Federal (PF) identificou um padrão de atuação em operações financeiras que envolvem a aquisição de imóveis, conectando o caso do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), a um esquema previamente investigado relacionado ao ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. As investigações sugerem que fundos de investimento, especialmente aqueles ligados à gestora Reag, teriam sido utilizados como canais para direcionar recursos em transações imobiliárias sob suspeita de lavagem de dinheiro.

Essa similaridade no modus operandi levanta questões sobre a complexidade e a interconexão de certos arranjos financeiros, onde a estrutura de fundos de investimento é empregada para supostamente ocultar a origem e o destino final dos valores. A PF aponta que a arquitetura financeira observada em ambos os cenários apresenta características marcantes que indicam uma possível estratégia para dissimular movimentações de capital.

Investigação da PF revela elos entre casos de lavagem de dinheiro

A apuração da Polícia Federal destaca que a operação para a compra de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões, associado a Jaques Wagner, guarda semelhanças com o modelo empregado na aquisição de imóveis vinculados a Paulo Henrique Costa. Em ambos os casos, fundos de investimento geridos pela Reag, que já está sob escrutínio por suspeita de participação em esquemas de lavagem de dinheiro, teriam sido o elo comum.

Mensagens interceptadas pelos investigadores indicam que o senador Jaques Wagner teria solicitado a Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, a aquisição do apartamento em Salvador. Lima, por sua vez, teria delegado a execução da operação a indivíduos conectados ao grupo financeiro, conforme os elementos coletados pela PF.

Conexões e intermediários nos supostos esquemas

Novos diálogos, divulgados pela imprensa, reforçam as suspeitas ao revelar a atuação de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, que teria agendado encontros e disponibilizado uma aeronave para o senador. Em outras conversas, Vorcaro e um funcionário mencionam Jaques Wagner como um intermediário de mensagens destinadas ao presidente da República.

A investigação também aponta para a figura do advogado Daniel Monteiro, detido durante a Operação Compliance Zero, que teria atuado em ambas as operações. No caso do ex-presidente do BRB, a PF afirma que Vorcaro solicitou a Monteiro a estruturação da compra de seis apartamentos, totalizando um valor significativo, dos quais uma parte substancial teria sido efetivamente paga.

Mecanismos de ocultação e o papel dos fundos de investimento

Os investigadores detalham que o fluxo financeiro empregado visava ocultar tanto a procedência dos recursos quanto o beneficiário final dos bens. O dinheiro, segundo a PF, passaria por fundos de investimento antes de ser direcionado a empresas de fachada, registradas em nome de terceiros e criadas especificamente para formalizar as aquisições.

Um fundo administrado pela Reag, também alvo da Operação Compliance Zero, teria adquirido o apartamento relacionado a Jaques Wagner. Posteriormente, esse fundo teria transferido os recursos para outra empresa, que então formalizou a compra do imóvel junto à construtora. Essa dinâmica, para a Polícia Federal, reproduz o modus operandi já identificado em fases anteriores da operação, com estruturas societárias ligadas à Reag sendo apontadas como veículos de lavagem de ativos em benefício de um grupo financeiro.

Posicionamento dos envolvidos e o andamento da apuração

Jaques Wagner nega veementemente qualquer irregularidade em sua conduta. Em declarações, o senador afirmou que sua intenção era pagar pelo imóvel em um momento posterior e refutou qualquer alegação de favorecimento ao Banco Master em sua atuação parlamentar.

A assessoria do senador, por meio de nota, ressaltou que ele não figura como réu, não foi denunciado e não responde a processo judicial relacionado aos fatos investigados. A nota também esclarece que o apartamento em questão jamais integrou o patrimônio do senador e que ele permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários. Para mais informações sobre o Banco Regional de Brasília, acesse: novo.brb.com.br.

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