A Polícia Federal (PF) deflagrou a nona fase da Operação Compliance Zero, com o senador Jaques Wagner (PT-BA) sendo um dos principais alvos. A investigação se concentra em suspeitas de fraude, lavagem de dinheiro e esquemas criminosos envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A apuração busca esclarecer se o parlamentar teria atuado para defender interesses do banco no Congresso Nacional, em troca de vantagens indevidas.
Os indícios que motivaram esta fase da operação surgiram a partir da análise de mensagens encontradas no celular do empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro e também investigado. A PF examina a possível influência do senador em projetos relacionados à ampliação do crédito consignado e na chamada “Emenda Master”, levantando a hipótese de recebimento de benefícios impróprios por sua atuação legislativa.
Detalhes da investigação sobre vantagens indevidas
A Polícia Federal investiga o suposto recebimento de valores que somam R$ 3,5 milhões, além do uso de bens como apartamentos, aviões particulares e ingressos para shows. Os investigadores suspeitam que uma empresa ligada a parentes do senador teria sido utilizada para ocultar a origem desses recursos, configurando um esquema de lavagem de dinheiro.
Em março, informações divulgadas pela imprensa apontaram que a empresa de Bonnie de Bonilha, nora do senador Jaques Wagner, recebia pagamentos do Banco Master. Bonnie, casada com Eduardo Sodré, secretário de Meio Ambiente da Bahia e enteado do senador, atuava na prospecção de operações de crédito consignado para a instituição financeira.
O papel da empresa familiar e as defesas apresentadas
A BK Financeira, empresa de Bonnie de Bonilha, firmou contrato com o Banco Master. Moisés Dantas, sócio de Bonnie na empresa, negou qualquer irregularidade nas atividades. Ele afirmou que a parceria existe desde 2022 e que os serviços prestados foram de prospecção e indicação exclusiva de operações e convênios de crédito consignado, uma modalidade comum em todo o território nacional.
Dantas ressaltou que todos os valores recebidos pela BK Financeira foram devidamente formalizados por meio de notas fiscais, e que os balanços e extratos financeiros da empresa estão à disposição das autoridades para qualquer tipo de verificação. Por sua vez, o senador Jaques Wagner negou veementemente qualquer envolvimento, declarando que “jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada” e que cabe à própria empresa esclarecer suas atividades.
Conexões com a privatização da Cesta do Povo
A investigação da PF também se estende à privatização da rede de supermercados estatal Cesta do Povo, ocorrida entre 2017 e 2018. Naquele período, Jaques Wagner ocupava o cargo de Secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia. O empresário Augusto Ferreira Lima, também investigado na Operação Compliance Zero, foi o vencedor da licitação para a aquisição da rede, que incluía o programa Cartão Cesta, atualmente conhecido como CredCesta.
Posteriormente, Augusto Ferreira Lima ingressou na sociedade do Banco Máxima, que mais tarde se tornou o Banco Master e incorporou o CredCesta. O senador Jaques Wagner reiterou sua tranquilidade em relação a este caso, negando qualquer envolvimento com fraudes e afirmando que a privatização da Cesta do Povo foi um processo legítimo que gerou economia para o Estado, sem vínculos com práticas ilícitas do banco.
Lado Direito