O ex-vereador do Rio de Janeiro, Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, solicitou o adiamento de seu julgamento pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos. A defesa do réu foi destituída nesta segunda-feira, no início da sessão no 2º Tribunal do Júri da Capital, em uma reviravolta que marca mais um capítulo no complexo processo judicial.
A justificativa para o pedido de adiamento, apresentado pelo próprio acusado, baseia-se na alegação de que ele se encontra sem representação legal adequada. Este desenvolvimento ocorre após um dos principais advogados de sua equipe ter sofrido um infarto, inviabilizando sua presença e a continuidade da defesa de forma plena.
Defesa de Jairinho alega falta de condições para prosseguir
O anúncio da destituição dos advogados e do pedido de adiamento foi feito nesta segunda-feira, 25, no início da sessão. Jairinho argumentou que não possuía condições de prosseguir com o julgamento, citando o infarto sofrido por seu advogado, Fabiano Tadeu Lopes, no último sábado, 23. A ausência do defensor, que não compareceu ao tribunal, foi o cerne da argumentação para a solicitação.
O ex-vereador relatou ter tentado que outros membros da banca de advogados assumissem a defesa. Contudo, esses profissionais informaram que o curto intervalo de tempo não foi suficiente para absorver o vasto conteúdo do caso, o que os impediria de substituir o defensor de maneira adequada. A complexidade do processo, que envolve diversas nuances e documentos, foi um fator determinante para a recusa.
Conhecimento específico do advogado é crucial para a defesa
Jairinho enfatizou que Fabiano Lopes detém um conhecimento aprofundado sobre três processos sob sigilo, os quais envolvem testemunhas cruciais para o caso. Segundo o réu, apenas o advogado infartado teria a capacidade de inquirir essas pessoas de forma eficaz durante o júri popular, garantindo o pleno exercício de seu direito de defesa.
A ausência desse conhecimento específico, na visão do acusado, comprometeria a apresentação da verdade aos jurados. Ele expressou o desejo de que o julgamento fosse concluído rapidamente, especialmente por seus três filhos, mas reiterou que a falta de uma defesa preparada tornava a continuidade impossível naquele momento.
Ministério Público critica histórico de adiamentos no caso Henry Borel
O promotor Fábio Vieira dos Santos, do Ministério Público, manifestou-se sobre o pedido, relembrando o histórico de adiamentos do caso. Ele destacou que esta não é a primeira vez que o julgamento enfrenta interrupções; uma tentativa anterior, em março deste ano, foi suspensa após a defesa de Jairinho abandonar o II Tribunal do Júri.
O promotor ressaltou que, primeiramente, a defesa do acusado promoveu o adiamento, e agora, o próprio réu apresenta motivos para uma nova interrupção. O Ministério Público, no entanto, afirmou estar preparado para prosseguir com o processo que envolve apenas Monique Medeiros Costa e Silva, coacusada na morte de Henry Borel.
Julgamento separado de Monique Medeiros é uma possibilidade
Apesar de considerar o julgamento conjunto dos dois réus como o mais adequado, por critérios de lógica processual e economia dos atos judiciais, o promotor Fábio Vieira dos Santos ponderou que nem sempre essa abordagem é viável diante das circunstâncias. A possibilidade de julgar Monique Medeiros separadamente já está sendo avaliada pelo Ministério Público.
A morte de Henry Borel, ocorrida quando o menino tinha 4 anos, continua a mobilizar a atenção pública e judicial. A decisão sobre o novo adiamento e a eventual separação dos julgamentos de Jairinho e Monique será crucial para o andamento do caso, que busca desvendar as responsabilidades pelo trágico falecimento da criança. Para mais informações sobre o sistema judicial brasileiro, visite o site do Conselho Nacional de Justiça.
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