terça-feira , 2 junho 2026
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Votação da PEC do Fim da Escala 6x1 na Câmara dos Deputados | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Câmara dos deputados avança em proposta para jornada de trabalho de 40 horas semanais

A Câmara dos Deputados deu um passo significativo em direção à modernização das relações trabalhistas no país, aprovando em primeiro turno a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca encerrar a escala de trabalho 6×1. Este movimento legislativo, que obteve apoio substancial dos parlamentares, representa um avanço na discussão sobre as condições de trabalho e o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal dos cidadãos. A matéria, que ainda passará por uma segunda votação na Câmara antes de seguir para o Senado Federal, visa a estabelecer um novo padrão para a jornada de trabalho no país.

Aprovação inicial da PEC da jornada de trabalho

A proposta de emenda constitucional, conhecida como PEC do Fim da Escala 6×1, recebeu uma votação expressiva no plenário da Câmara dos Deputados. Com 472 votos favoráveis e apenas 22 contrários, a aprovação em primeiro turno reflete um amplo consenso entre os parlamentares sobre a necessidade de revisão das atuais regras trabalhistas. Anteriormente, a matéria já havia sido debatida e aprovada em uma comissão especial, onde obteve 34 votos a favor e 4 contra, demonstrando a solidez do apoio à iniciativa desde as etapas iniciais de sua tramitação. O presidente da Câmara, Hugo Motta, desempenhou um papel crucial ao pautar a análise da emenda, cumprindo um acordo com o governo e acelerando o processo em celebração ao mês do trabalhador. Para isso, foram necessárias sessões extras ao longo do último mês.

Detalhes da nova jornada de trabalho e período de transição

A essência da PEC reside na alteração do artigo 7º da Constituição, propondo uma redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas. Esta mudança será implementada por meio de uma transição gradual de 14 meses, assegurando que não haverá redução salarial para os trabalhadores. A matéria também estabelece formalmente a escala 5×2, garantindo cinco dias de trabalho e dois dias de descanso remunerado. Durante o período de transição, a PEC permite que acordos e convenções coletivas possam autorizar a ampliação da jornada diária, desde que as horas sejam redistribuídas ao longo da semana e os dois dias de descanso semanal sejam respeitados.

A proposta detalha as seguintes diretrizes:

“Duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta horas semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho.”

“Dois dias de repouso semanal remunerado, um dos quais preferencialmente aos domingos.”

“Excepcionalmente, convenção ou acordo coletivo de trabalho poderão, inclusive para os trabalhadores sujeitos a regimes diferenciados de trabalho estabelecidos em lei ou norma regulamentadora, estabelecer regime compensatório que assegure, na média, dois dias de repouso semanal remunerado dentro do mês-calendário, garantido o gozo de pelo menos um dos dias dentro do período máximo de uma semana de trabalho.”

Regras específicas e o futuro da legislação trabalhista

A PEC também introduz uma regra particular para os chamados empregados “hipersuficientes”. Este grupo inclui trabalhadores com diploma de nível superior e salário equivalente a pelo menos duas vezes e meia o teto do INSS. Para esses profissionais, as regras de controle de jornada e duração do trabalho deixam de ser aplicáveis, a menos que haja previsão em acordo coletivo ou decisão do empregador. Contudo, a garantia dos dois dias de repouso semanal remunerado permanece obrigatória. É importante ressaltar que essa exceção não se estenderá a servidores e empregados públicos.

No que tange aos contratos terceirizados da administração pública, a aplicação das novas regras dependerá de aditivos contratuais para recompor o equilíbrio econômico-financeiro. O governo terá um prazo de até 12 meses para realizar essa adequação. Caso as alterações não sejam efetuadas dentro desse período, os trabalhadores serão automaticamente abrangidos pelas novas regras ao fim do prazo, sem qualquer prejuízo salarial.

Para mais informações sobre a legislação trabalhista brasileira, consulte o Ministério do Trabalho e Emprego.

Próximos passos e o impacto da proposta

Com a aprovação em primeiro turno, a PEC do Fim da Escala 6×1 segue para a segunda e última votação na Câmara dos Deputados. Após essa etapa, se aprovada novamente, a proposta será encaminhada ao Senado Federal, onde também precisará passar por um processo de votação em dois turnos. A expectativa é que a medida, se convertida em lei, traga impactos significativos para o mercado de trabalho, promovendo uma melhor qualidade de vida para os trabalhadores e estimulando a produtividade por meio de um regime de jornada mais equilibrado. A tramitação da PEC reflete um debate contínuo sobre a modernização das relações de trabalho e a busca por um modelo que concilie os interesses de empregadores e empregados.

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