terça-feira , 2 junho 2026
Foto: Brunno Dantas/TJ-RJ
Foto: Brunno Dantas/TJ-RJ

Mãe de Henry Borel tinha ciência das agressões contra o filho, aponta delegado em julgamento

O julgamento do caso Henry Borel ganhou novos contornos com o depoimento do delegado Henrique Damasceno. Durante o segundo dia dos trabalhos do júri, o policial afirmou que Monique Medeiros, mãe da criança de quatro anos, possuía conhecimento prévio das agressões sofridas pelo filho. Esta revelação intensifica o foco sobre a conduta dos acusados e a complexidade da investigação.

Damasceno detalhou como Monique e o ex-vereador Jairo Souza Santos Junior, conhecido como Doutor Jairinho, teriam agido para ocultar informações cruciais desde o início da apuração. A declaração do policial, que foi o primeiro a depor nesta fase do julgamento, reforça a narrativa da acusação de que houve uma tentativa deliberada de desviar o curso da justiça.

Depoimento do delegado e a farsa ensaiada

O delegado Henrique Damasceno descreveu as versões apresentadas por Monique Medeiros e Doutor Jairinho como uma “farsa ensaiada”. Segundo ele, os relatos iniciais do casal eram compatíveis entre si, mas foram sistematicamente desmentidos pelas evidências colhidas ao longo da investigação. A polícia concluiu que ambos tinham plena ciência de que Henry estava sendo agredido.

A estratégia de ocultação de informações, conforme o depoimento, visava dificultar o trabalho das autoridades. A incompatibilidade entre as declarações dos acusados e os fatos apurados tornou-se um ponto central na argumentação da acusação, indicando uma tentativa de manipulação da verdade.

Evidências de agressões anteriores e o alerta do filho

A investigação do caso Henry Borel identificou pelo menos três episódios de agressão sofridos pela criança antes de sua morte trágica. Um desses incidentes foi particularmente marcante, quando o próprio Henry ligou para a mãe, utilizando o celular da babá, para relatar que havia sido agredido por Jairinho.

Este depoimento sublinha a gravidade das acusações e a suposta omissão da mãe diante dos sinais de violência. A existência de relatos diretos da criança sobre as agressões fortalece a tese de que Monique Medeiros estava ciente do que acontecia.

Omissão e manipulação de depoimentos familiares

Além da ocultação de informações por parte de Monique e Jairinho, o delegado Damasceno revelou que familiares também teriam recebido orientações antes de prestar depoimento à polícia. Entre eles, a mãe de Monique, avó da criança, teria sido instruída sobre o que dizer.

O investigador expressou sua estranheza com essa conduta, afirmando que, em casos de morte de crianças, a reação natural das famílias é buscar a verdade, e não ensaiar depoimentos. Essa suposta manipulação de testemunhas adiciona uma camada de complexidade e gravidade ao cenário do caso.

O longo caminho da justiça no julgamento de Henry Borel

O caso Henry Borel chocou o país em março de 2021, quando o menino de quatro anos foi encontrado morto no apartamento que dividia com a mãe e o então padrasto, no Rio de Janeiro. O Ministério Público acusa Doutor Jairinho de ser o responsável pela morte da criança, enquanto Monique Medeiros é apontada por omissão diante das agressões.

O processo judicial tem sido marcado por uma série de desafios e atrasos ao longo dos últimos cinco anos. Tentativas de adiar o julgamento foram recorrentes, e em um momento crucial, os advogados de Jairinho chegaram a abandonar o plenário, alegando cerceamento de defesa.

A demora na resolução do caso tem sido motivo de grande angústia para a família da vítima. Leniel Borel, pai de Henry, utilizou as redes sociais para expressar seu lamento e frustração com a lentidão do processo, clamando por justiça para seu filho.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *