A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra Santos está no centro de uma séria investigação que a liga a supostas operações de lavagem de dinheiro para o crime organizado. As acusações ganharam destaque após a divulgação de um áudio em que um indivíduo, supostamente ligado a uma facção criminosa, faz cobranças e ameaças, mencionando o envolvimento da influenciadora e de seu filho, Kayky Bezerra Teixeira, em atividades ilícitas. Este caso complexo envolve denúncias do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a prisão da própria Deolane, intensificando o debate sobre a influência e as responsabilidades de figuras públicas.
A Denúncia do Suposto Traficante
O epicentro das recentes revelações é uma gravação de áudio, divulgada em uma segunda-feira, 15, pelo portal Metrópoles. Nela, um homem que se identifica como membro do crime organizado acusa Deolane Bezerra Santos e seu filho, Kayky Bezerra Teixeira, de atuarem na lavagem de dinheiro para o tráfico de drogas. O áudio foi enviado a Denise Rosane Bastos, ex-diarista da família, e continha uma cobrança de R$ 80 mil que teriam desaparecido do apartamento de Kayky, localizado na zona leste de São Paulo.
No conteúdo da gravação, o interlocutor demonstra conhecimento detalhado sobre a vida pessoal da diarista, incluindo seu endereço em Ribeirão Preto e o monitoramento de seu marido. Ele explicitamente afirma que não acionaria as autoridades, pois “nós é o crime”, e ameaça resolver a questão de forma violenta. Denise Rosane Bastos, por sua vez, nega veementemente o furto do dinheiro, que estaria em cédulas de R$ 100.
As Acusações de Lavagem de Dinheiro e a Investigação do Ministério Público
A divulgação do áudio coincide com uma denúncia formal apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra Deolane Bezerra e a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os denunciados está o chefe máximo da facção, Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola. Os promotores de Justiça acusam o grupo de integrar uma vasta rede de lavagem de capitais, apontando a influenciadora como uma peça central no núcleo financeiro da quadrilha.
A Promotoria argumenta que o incidente envolvendo a ex-diarista e o dinheiro desaparecido serve como evidência do armazenamento de grandes quantias em dinheiro vivo da facção em propriedades da família Bezerra. Essa alegação reforça a tese de que a influenciadora estaria se beneficiando de verbas oriundas de uma empresa de transportes supostamente criada pelo PCC para dissimular a origem ilícita dos recursos.
A Prisão e os Antecedentes do Conflito
Deolane Bezerra foi detida em prisão preventiva no dia 21 de maio passado, em um condomínio residencial de alto padrão no bairro de Alphaville, na região metropolitana de São Paulo. A prisão ocorreu no contexto das investigações que apuram seu suposto envolvimento com a rede de lavagem de dinheiro.
O conflito financeiro que culminou nas ameaças à diarista teve início após uma limpeza realizada por Denise no apartamento de Kayky, no Tatuapé. No dia seguinte, o jovem e sua mãe teriam entrado em contato com a funcionária, exigindo a devolução do dinheiro e proferindo xingamentos. Conforme a queixa-crime que tramita na Justiça paulista, Deolane teria enviado dois seguranças particulares armados à residência da diarista no mesmo dia, que revistaram o imóvel, o automóvel e vasculharam o aparelho celular da trabalhadora.
Repercussão e Defesa
A defesa da ex-funcionária Denise Rosane Bastos relatou que Deolane Bezerra teria enviado uma mensagem com visualização única, intensificando as ameaças de morte caso o dinheiro não fosse recuperado. O Ministério Público anexou esses áudios ao processo principal, utilizando-os como prova do poder de coerção e da agressividade supostamente empregados pelos operadores do esquema criminoso.
Os advogados da influenciadora, por sua vez, rejeitam categoricamente a denúncia e insistem na inocência de sua cliente em relação a todas as acusações. O caso segue em andamento na Justiça, com as autoridades buscando esclarecer todas as ramificações da suposta rede de lavagem de dinheiro e a extensão do envolvimento dos acusados.
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