terça-feira , 2 junho 2026
Foto: Reprodução/YouTube/CNN Brasil
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Depoimento à PF liga Lulinha e Careca do INSS em viagens a Portugal sob negativa da defesa

Depoimento revela bastidores de viagens internacionais

A ex-marqueteira do Partido dos Trabalhadores (PT), Danielle Miranda Fonteles, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) confirmando a participação de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, em viagens e visitas técnicas realizadas em Portugal. Segundo o relato, o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou agendas organizadas por Antônio Carlos Camilo Antunes, figura central nas investigações e popularmente chamado de Careca do INSS.

As visitas incluíram inspeções em fábricas e instalações que seriam integradas a um projeto de produção de medicamentos à base de cannabis. A iniciativa era liderada por Camilo Antunes, apontado pelas autoridades como o principal operador de um esquema de descontos ilegais em benefícios previdenciários.

Dinâmica das agendas e atuação de Lulinha

Em sua oitiva, Danielle Fonteles esclareceu que a presença de Lulinha nas agendas ocorria na condição de convidado do empresário. A publicitária enfatizou que, embora estivesse presente nos locais, o filho do presidente não exercia papel ativo nas tratativas comerciais.

“Ele não falava muito e não participava efetivamente das negociações”, declarou Danielle aos investigadores. A Polícia Federal busca determinar se a proximidade de Lulinha com o lobista era utilizada como estratégia para ampliar a influência de Camilo Antunes e facilitar contatos com autoridades, tanto no Brasil quanto no exterior.

Consultoria e investigações financeiras

Danielle, que reside em Portugal desde 2019, afirmou ter sido contratada por Camilo Antunes para prestar consultoria a empresários brasileiros interessados em investimentos europeus. Ela negou qualquer participação societária nos negócios do lobista, declarando ter recebido honorários pelo serviço de consultoria prestado ao projeto farmacêutico.

A publicitária tornou-se alvo da investigação após a identificação de transferências financeiras de aproximadamente R$ 5 milhões, originadas de uma empresa ligada ao Careca do INSS. Danielle justificou os valores como parte de uma transação imobiliária. A trajetória da empresária inclui passagens por casos de repercussão, como a Operação Acrônimo, onde foi investigada por suspeitas envolvendo sua agência, a Pepper Comunicação Interativa, conforme reportado pela revista Veja.

Posicionamento da defesa

A defesa de Lulinha sustenta que as agendas ocorreram em um período anterior ao surgimento das suspeitas contra o empresário. Os advogados argumentam que o filho do presidente era visto apenas como um profissional do setor farmacêutico, negando qualquer envolvimento com as fraudes relacionadas ao INSS ou o recebimento de recursos ilícitos do grupo investigado.

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