terça-feira , 2 junho 2026
Foto: Agência Brasil
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Impacto do mercado ilegal custa R$ 39 bilhões à indústria brasileira, segundo CNI

A indústria brasileira enfrenta um cenário desafiador com a crescente atuação do mercado ilegal, que tem gerado perdas financeiras significativas. Um levantamento recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que os atos ilícitos causaram um prejuízo bilionário ao setor nos últimos dois anos, afetando uma parcela considerável das empresas e comprometendo sua competitividade.

A pesquisa da CNI, que ouviu quase 1.400 companhias de diversos portes e setores, destaca que um terço das empresas industriais foi diretamente prejudicado por essas práticas, com impactos que vão desde a redução da receita até o aumento dos custos com segurança.

Ameaça Bilionária: O Cenário do Mercado Ilegal na Indústria

A Sondagem Especial Brasil Legal, conduzida pela CNI, aponta que as perdas na receita líquida de vendas da indústria brasileira somam impressionantes R$ 39 bilhões. Este montante reflete o impacto direto das atividades ilegais sobre o faturamento das empresas, evidenciando a gravidade do problema para a economia nacional.

Entre as empresas impactadas, a redução da receita bruta é o efeito mais citado, afetando 50% delas. Além disso, a perda de participação de mercado é um problema para 30% das indústrias, enquanto 28% relatam um aumento nos custos operacionais relacionados à segurança. Esses dados sublinham a complexidade e a abrangência dos desafios impostos pelo mercado ilegal.

Vulnerabilidade e Tipos de Ilícitos que Afetam o Setor

A pesquisa da CNI detalha que aproximadamente 31% das empresas tiveram suas atividades prejudicadas por ilegalidades. Este percentual é ainda maior entre médias e grandes empresas, atingindo 32% e 33%, respectivamente, enquanto nas pequenas empresas o índice é de 25%. No entanto, o impacto proporcional sobre a receita é mais severo para os negócios de menor porte.

Conforme Fabrício Silveira, superintendente de Política Industrial da CNI, as perdas representam, em média, 0,6% da receita líquida anual das pequenas empresas, superando as médias (0,8%) e grandes (0,4%). Pequenos negócios, com estruturas financeiras mais enxutas e acesso restrito a crédito, são particularmente vulneráveis à concorrência desleal.

O roubo de carga emerge como o ilícito mais frequente, afetando diretamente 32% das empresas. No Rio de Janeiro, por exemplo, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) estimou um prejuízo de R$ 314 milhões em 2025, com uma média de oito caminhões atacados diariamente.

Outro problema significativo é a não conformidade de produtos com regulamentações técnicas, citada por 29% das empresas. Esta prática, que envolve a comercialização de itens fora das normas de segurança e qualidade, é o principal desafio para médias (33%) e pequenas (26%) empresas. Silveira ressalta que tais ações não apenas trazem riscos ao consumidor, mas também configuram concorrência desleal, prejudicando a indústria formal.

Custos de Prevenção e a Necessidade de Cibersegurança

Os investimentos em prevenção contra atos ilícitos superam as perdas diretas, evidenciando a dimensão do problema. A indústria brasileira gasta cerca de R$ 68,5 bilhões em segurança patrimonial, cibernética e outras medidas protetivas, o que representa 1,1% da receita líquida de vendas. Este valor é significativamente maior do que os R$ 39,1 bilhões perdidos diretamente com os ilícitos.

Apesar dos altos custos com segurança, a sondagem aponta para uma lacuna na área de cibersegurança. Fabrício Silveira observa que cerca de 77,1% das empresas destinam apenas 1% ou menos de seu orçamento para ações de segurança digital. Ele enfatiza a urgência de elevar a cibersegurança a um patamar mais estratégico no combate às ilegalidades, dada a crescente digitalização dos negócios e as novas ameaças.

Estratégias Propostas para Combater Ilegalidades

Para enfrentar o cenário de perdas e proteger a indústria, as empresas apontam diversas estratégias. A maioria, 77%, defende o aumento da fiscalização e do controle como medida primordial. Investimentos em ações de inteligência são considerados essenciais por 46% dos entrevistados, enquanto 36% apoiam o endurecimento da legislação para coibir as práticas ilegais.

Adicionalmente, 41% das empresas acreditam que os órgãos de segurança pública estaduais, como as polícias Civil e Militar, necessitam de maior fortalecimento para atuar de forma mais eficaz no combate aos crimes que afetam o setor industrial. A colaboração entre o setor público e privado é vista como fundamental para criar um ambiente de negócios mais seguro e justo.

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