sábado , 13 junho 2026
Foto: Governo de São Paulo/Divulgação
Foto: Governo de São Paulo/Divulgação

Operação Falsa Las Vegas desarticula rede de apostas ilegais ligada ao PCC em São Paulo

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram, nesta quinta-feira, 28, a Operação Falsa Las Vegas. A ação tem como objetivo desmantelar uma organização criminosa suspeita de operar plataformas clandestinas de apostas e realizar a lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação aponta para um esquema financeiro complexo que movimentava quantias bilionárias através de estruturas empresariais de fachada.

operação: cenário e impactos

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 5,2 bilhões em bens e ativos financeiros vinculados aos investigados. Além do confisco de valores, foi autorizado o sequestro de 76 imóveis. Entre os itens apreendidos pelas autoridades estão cinco veículos de luxo e um helicóptero, avaliado em R$ 15 milhões. Em um dos endereços alvos da operação, as equipes localizaram R$ 600 mil em espécie escondidos no interior de uma caminhonete.

Estrutura e funcionamento do esquema financeiro

A investigação, conduzida pela 3ª Delegacia de Fraudes Financeiras e Econômicas do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) em conjunto com o Ministério Público, revelou que o grupo utilizava empresas formalmente regulares para mascarar atividades ilícitas. A organização recorria a pessoas registradas como proprietárias, conhecidas como laranjas, que não possuíam controle real sobre os negócios.

O fluxo de capitais era fragmentado em depósitos menores distribuídos por diversas contas bancárias, uma estratégia desenhada para dificultar o rastreamento pela fiscalização. Documentos apreendidos, incluindo cadernos manuscritos e registros financeiros, confirmam a existência de uma divisão interna de tarefas, onde parte dos integrantes gerenciava os jogos proibidos enquanto outros coordenavam a logística de lavagem de dinheiro.

Conexão com o assassinato de delator em Guarulhos

Um dos desdobramentos mais graves da apuração indica que parte dos recursos movimentados pela organização criminosa teria sido destinada a indivíduos apontados como responsáveis pela morte de Antonio Vinicius Lopes Gritzbach. O delator foi executado em novembro de 2024, no Terminal 2 do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em um crime que chocou o país.

As autoridades destacam que as transações financeiras analisadas revelaram um sistema sofisticado de ocultação patrimonial, totalmente incompatível com atividades econômicas lícitas. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo reforça que as investigações seguem em curso para identificar novos envolvidos e aprofundar o mapeamento da estrutura financeira do grupo.

Desdobramentos da ação policial

Até o momento, a operação resultou no cumprimento de 22 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão preventiva na capital paulista e na região metropolitana. Duas pessoas foram presas, embora suas identidades não tenham sido reveladas pelas autoridades, o que impossibilitou o contato com as respectivas defesas.

A origem da operação remonta a informações coletadas durante a Operação Falso Mercúrio, realizada em dezembro do ano passado. O foco atual das autoridades é desarticular completamente a rede de apostas virtuais que, além de proibidas, serviam como braço financeiro para as atividades criminosas do PCC.

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