A Polícia Federal deflagrou a Operação Narco Sky, revelando uma conexão direta e estruturada entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e figuras de alta periculosidade no narcotráfico global. A investigação aponta que o mega-narcotraficante sérvio Antum Mrdeza, conhecido pelo codinome Nikolas Boro e presente na lista vermelha da Interpol, atuava como o principal financiador de um núcleo da facção brasileira voltado à exportação de cocaína.
pcc: cenário e impactos
Estrutura logística e o papel do financiamento estrangeiro
Os investigadores identificaram que o suporte financeiro provido pelo criminoso sérvio era fundamental para a viabilização das rotas marítimas. O capital injetado por Mrdeza permitia a aquisição de embarcações e o pagamento de propinas, garantindo que o fluxo de entorpecentes mantivesse constância em direção ao continente europeu. A operação mapeou pelo menos quatro grandes remessas que utilizaram estruturas empresariais legítimas para contornar a fiscalização alfandegária.
A atuação do braço marítimo na Baixada Santista
O braço marítimo do cartel era liderado pelo brasileiro Marco Aurélio de Souza, o Lelinho, que operava na Baixada Santista desde 2020. O esquema utilizava uma empresa de comércio exterior, registrada em nome de um testa de ferro, para encobrir a movimentação ilícita nos portos. A logística envolvia o uso de lanchas rápidas para o transporte dos tabletes até veleiros de alto-mar, responsáveis pela travessia transatlântica.
Investigações e cooperação internacional
A descoberta do esquema foi possível após a interceptação de conversas via aplicativo de mensagens criptografadas Sky ECC. Os diálogos revelaram negociações entre o sérvio, o comparsa Alejandro Salgado Vega, o El Tigre, e o brasileiro Marco Aurélio de Souza. A polícia espanhola já havia apreendido 2 toneladas de cocaína vinculadas ao grupo na cidade de Aldea de San Nicolás.
Desdobramentos da Operação Narco Vela
A atual fase da investigação deriva de dados coletados na Operação Narco Vela, deflagrada no ano anterior, quando o empresário brasileiro foi preso. A análise de dispositivos móveis apreendidos naquela ocasião demonstrou que o suspeito não era um operador isolado, mas um parceiro estratégico dos europeus. Em uma das ações, a quadrilha conseguiu ocultar 500 quilos de cocaína no interior do navio cargueiro Panorea, atracado no Porto de Santos.
Esforços para desmantelar o patrimônio ilícito
Atualmente, a Polícia Federal concentra esforços no congelamento de bens e na identificação de ativos ocultos da organização criminosa no litoral de São Paulo. A Justiça Federal determinou a quebra dos sigilos bancários de todas as empresas de fachada associadas ao investigado. O objetivo é rastrear a origem e o destino dos recursos do tráfico, em colaboração com agências internacionais para localizar os foragidos. Mais informações sobre o caso podem ser acompanhadas no portal Metrópoles.
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