A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra foi detida na manhã desta quinta-feira (21) como parte da Operação Vérnix. A ação policial, que investiga um complexo esquema de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), também mirou familiares de Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como o principal líder da facção criminosa.
As investigações, conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil, buscam desvendar uma estrutura sofisticada utilizada para ocultar patrimônio e movimentar recursos ilícitos. A operação ressalta a crescente preocupação com a infiltração do crime organizado em diversas camadas da sociedade, utilizando-se de mecanismos que buscam dar aparência de legalidade a bens e valores provenientes de atividades criminosas.
A Operação Vérnix e a Prisão da Influenciadora
A Operação Vérnix, que levou à detenção de Deolane Bezerra, concentra-se na desarticulação de um esquema de lavagem de dinheiro. A polícia acusa a influenciadora de ter recebido mais de R$1 milhão em depósitos fracionados de R$10 mil, realizados entre os anos de 2018 e 2021. Além disso, quase R$716 mil teriam sido enviados em mais de 50 depósitos para duas empresas ligadas à influenciadora.
Os repasses, segundo as autoridades, foram oficialmente realizados por um homem residente na Bahia, cuja renda mensal é de aproximadamente um salário mínimo, levantando fortes suspeitas sobre a origem e a finalidade desses valores. A Justiça, em resposta às evidências apresentadas, determinou o bloqueio de cerca de R$27 milhões em contas relacionadas a Deolane, além da apreensão de veículos de luxo e imóveis vinculados aos investigados.
Conexões com a Cúpula do PCC e o Líder Marcola
A Operação Vérnix estende seu alcance à cúpula do PCC, com foco em familiares de Marcola. Mandados foram cumpridos dentro do sistema prisional contra o próprio Marcola e seu irmão, Alejandro Camacho, indicando que a investigação atinge o cerne da estrutura de comando da facção. Os investigadores apontam que membros da família de Marcola teriam papel ativo na transmissão de ordens e na gestão patrimonial da rede financeira sob apuração.
Paloma Camacho, sobrinha do líder da facção, é acusada de ser responsável por repassar orientações recebidas durante visitas para operadores financeiros fora da prisão. Ela foi detida em Madri, na Espanha, em uma ação que contou com o apoio das autoridades locais. Outro sobrinho de Marcola, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, é considerado foragido e teve seu nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol, ampliando o escopo internacional da investigação.
A Complexa Rede de Lavagem de Dinheiro
As investigações revelam uma rede complexa de lavagem de dinheiro, onde um operador financeiro conhecido como “Player” desempenhava um papel central. Ele seria o coordenador das transferências, da divisão de valores e da indicação das contas utilizadas nas movimentações financeiras suspeitas. A estrutura visava ocultar a origem ilícita dos recursos, dificultando o rastreamento pelas autoridades.
Um dos braços financeiros identificados pela polícia foi uma empresa de cargas, localizada próximo à Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista. Esta transportadora, segundo a apuração, teria se tornado um dos principais veículos para a movimentação de dinheiro dentro do esquema, evidenciando a diversidade de métodos empregados pelo crime organizado para legitimar seus ganhos.
Origem e Desdobramentos da Investigação
A Operação Vérnix teve sua origem em uma investigação iniciada em 2019, após a apreensão de bilhetes da facção na Penitenciária II de Presidente Venceslau. Esses documentos continham referências a ordens internas do PCC, detalhes sobre movimentações financeiras e até planos para possíveis ataques contra agentes públicos. Entre as anotações, os investigadores encontraram menções a uma “mulher da transportadora”, o que direcionou a polícia para a empresa de cargas que se tornaria um ponto-chave na apuração.
As investigações ganharam novo impulso após a Operação Lado a Lado, em 2021. A apreensão do celular de um operador da facção revelou mensagens cruciais sobre a divisão de lucros, movimentações bancárias e ordens atribuídas à cúpula do PCC. Foi a partir desse material que o nome de Deolane Bezerra passou a ser associado à investigação, culminando em sua detenção e no aprofundamento das apurações sobre a extensão da rede criminosa. Para mais detalhes sobre operações de combate ao crime organizado, clique aqui.
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