terça-feira , 2 junho 2026
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Oposição articula no Congresso para derrubar decretos de Lula sobre internet

Uma ofensiva parlamentar de grande escala está em curso na Câmara dos Deputados para anular os efeitos dos decretos nº 12.975 e nº 12.976, assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em menos de 24 horas, a oposição protocolou mais de vinte projetos de decreto legislativo (PDLs) com o objetivo de sustar as novas regras impostas pelo governo federal para o funcionamento das plataformas digitais no país.

internet: cenário e impactos

A articulação envolve lideranças de partidos como PL, Novo, União Brasil e Republicanos. Os congressistas baseiam a iniciativa no artigo 49 da Constituição Federal, que confere ao Poder Legislativo a prerrogativa de barrar atos normativos do Executivo que extrapolem as competências regulamentares. A tese central dos parlamentares é que o governo utilizou decretos para criar obrigações inéditas e sanções civis que, por lei, deveriam passar pelo crivo do Congresso.

Questionamentos sobre a usurpação de funções legislativas

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) lidera um dos projetos, argumentando que houve abuso de poder regulamentar por parte do Palácio do Planalto. Segundo o parlamentar, o governo tentou utilizar um atalho administrativo para contornar a ausência de uma legislação específica aprovada pelas duas Casas. O texto assinado por Lula estabelece prazos rígidos para a remoção de conteúdos e define penalidades que, na visão da oposição, carecem de amparo em lei formal.

Críticas à regulamentação de decisões judiciais

A deputada Caroline de Toni (PL-SC), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), classificou o pacote do Executivo como uma anomalia jurídica. A parlamentar sustenta que os decretos foram editados para regulamentar uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF), o que, segundo ela, desvirtua a finalidade constitucional do decreto presidencial. A preocupação central é que o uso de termos imprecisos no texto oficial abra margem para uma censura privada generalizada.

Impacto nas atribuições da ANPD

Os projetos de lei também miram os novos poderes conferidos à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Parlamentares do partido Novo, como Marcel van Hattem, Adriana Ventura e Gilson Marques, reforçam que as competências de uma agência reguladora devem ser definidas exclusivamente por lei. Para a bancada, a medida transforma o órgão em um fiscal de comportamento dos usuários, excedendo o escopo original da entidade.

Trâmite legislativo e próximos passos

A mobilização conta com a adesão de diversos nomes, incluindo Gustavo Gayer, Kim Kataguiri, Julia Zanatta, Carlos Jordy, Mendonça Filho e Diego Garcia. As propostas agora aguardam a distribuição pelas comissões temáticas da Câmara dos Deputados para iniciar o processo de tramitação. O debate promete ser intenso, dada a sensibilidade do tema sobre a liberdade de expressão e a soberania digital no Brasil.

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