terça-feira , 9 junho 2026
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Promotora do Mp-sp classifica perdão judicial a Monique Medeiros como afronta à justiça

A decisão judicial que concedeu perdão a Monique Medeiros pela morte de seu filho, Henry Borel, em 2021, gerou forte indignação no Ministério Público de São Paulo. A jurista Celeste Leite dos Santos, promotora de Justiça em Último Grau do Colégio Recursal do MP, classificou a resolução como um “golpe na credibilidade do sistema penal brasileiro” e um “verdadeiro tapa na cara da sociedade”.

Monique Medeiros foi liberada do Instituto Penal Talavera Bruce, no Rio de Janeiro, após a Justiça conceder o perdão judicial no julgamento que apurava a morte do menino. A criança, de apenas quatro anos, chegou ao hospital com múltiplos ferimentos decorrentes de espancamento e não resistiu.

A controvérsia do perdão judicial no caso Henry Borel

A decisão, proferida pela juíza Elizabeth Machado Louro, presidente do 2º Tribunal do Júri da Capital do Rio de Janeiro, desclassificou a conduta de Monique Medeiros de homicídio doloso para culposo. Essa mudança resultou na aplicação do perdão judicial, extinguindo a punição pelo crime de homicídio. No entanto, Monique foi considerada culpada pelo crime de omissão em relação à tortura sofrida por Henry, recebendo uma pena de 1 ano e 4 meses de detenção, a ser cumprida em regime aberto.

O caso Henry Borel chocou o país pela brutalidade das agressões que levaram à morte da criança. Os laudos periciais e a investigação descartaram a hipótese de queda acidental, inicialmente alegada pelo casal, e revelaram mais de 20 lesões no corpo do menino, comprovando que ele foi vítima de violência doméstica.

Detalhes da decisão judicial e a desclassificação do crime

O Conselho de Sentença do 2º Tribunal do Júri rejeitou a acusação de homicídio doloso – quando há intenção de matar – e concordou com a ocorrência de homicídio culposo, modalidade em que não existe a intenção. Como o Tribunal do Júri tem competência apenas para julgar crimes dolosos contra a vida, a decisão sobre o crime culposo foi transferida para a juíza presidente do júri.

Foi nesse contexto que a magistrada analisou o crime já desclassificado e aplicou o perdão judicial, extinguindo a punibilidade de Monique Medeiros pelo homicídio. Paralelamente, Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, namorado de Monique e padrasto de Henry, foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo.

A visão do Ministério Público e a “posição de garante”

A promotora Celeste Leite dos Santos enfatizou que a sentença ignora um princípio fundamental do Direito Penal: a “posição de garante”. Este instituto impõe a quem tem o dever jurídico de cuidado, proteção ou vigilância a obrigação de impedir a ocorrência de um resultado lesivo. “Afinal, de quem era a obrigação de proteger o filho de um algoz, senão da mãe?”, questionou a promotora, destacando que o Judiciário, ao afastar a responsabilidade da mãe pela morte de Henry, desconsiderou a essência dessa proteção.

Para o Ministério Público, a decisão não é apenas um desfecho legal questionável, mas um precedente que abala a confiança da sociedade no sistema de justiça criminal, especialmente em casos de vulnerabilidade infantil. A promotora ressalta que as sentenças estão longe de encerrar a repercussão de um caso tão brutal.

Repercussão e outras manifestações sobre o caso

A perplexidade com o perdão judicial a Monique Medeiros foi compartilhada por outras autoridades. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, que havia demitido Monique dos quadros da Secretaria Municipal de Educação antes da sentença, confirmou que manterá a demissão. Ele expressou publicamente sua surpresa com a decisão, afirmando que “uma criança inocente e indefesa, alvo de constantes agressões, que foi brutalmente torturada e assassinada dentro de casa pelo padrasto Jairinho, condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão. Tudo na presença da mãe”.

A repercussão do caso continua intensa, levantando debates sobre a aplicação da justiça, a proteção de crianças e a responsabilidade de pais e responsáveis. A discussão sobre a credibilidade do sistema penal brasileiro, levantada pela promotora, ecoa entre diversos setores da sociedade. Para mais informações sobre o sistema judicial brasileiro, consulte fontes oficiais como o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

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