Mecanismo internacional para rastreamento de ativos
A Polícia Federal (PF) avalia solicitar a inclusão de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do liquidado Banco Master, na chamada “difusão prateada” da Interpol. A medida visa permitir que autoridades brasileiras rastreiem e, eventualmente, congelem contas bancárias localizadas no exterior. O foco da investigação recai sobre o destino de aproximadamente R$ 60 milhões que teriam sido transferidos para um fundo nos Estados Unidos.
A suspeita dos investigadores é que esse montante tenha sido utilizado para financiar o documentário Dark Horse, obra cinematográfica centrada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. O fundo norte-americano que recebeu os recursos estaria sob gestão de um advogado com vínculos ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, enquanto o senador Flávio Bolsonaro é apontado como suposto intermediário nas tratativas.
Desdobramentos judiciais e cooperação internacional
O acionamento do mecanismo internacional depende de autorizações formais da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, a cooperação jurídica com a justiça americana é indispensável para que os agentes brasileiros obtenham acesso aos dados bancários mantidos em solo estrangeiro. A definição sobre qual ministro do STF ficará responsável pelo pedido de quebra de sigilo permanece em aberto.
O caso gera expectativa sobre qual magistrado conduzirá a análise, dada a divisão interna na Corte. O pedido pode ser encaminhado ao ministro André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero, ou ao ministro Alexandre de Moraes, que coordena inquéritos envolvendo os filhos do ex-presidente da República. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, defende a criação de um inquérito específico para esclarecer o fluxo financeiro da produção cinematográfica.
Delação premiada e a defesa do ex-banqueiro
Daniel Vorcaro é o principal alvo da Operação Compliance Zero, que apura fraudes de grande escala no Banco Master. Embora o empresário mantenha negociações para um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal há três meses, o processo enfrenta impasses significativos. A resistência de Vorcaro em revelar nomes de figuras influentes e detalhar o destino final dos valores desviados tem travado o avanço das tratativas.
Em sua defesa, o ex-banqueiro sustenta que não houve prática de crimes de corrupção. Segundo relatos de advogados, ele alega que os repasses milionários a parlamentares federais configuram apenas doações motivadas por laços de amizade, sem qualquer expectativa de contrapartida ou favorecimento político. Contudo, as autoridades policiais refutam essa tese e seguem em busca de provas materiais para consolidar o inquérito contra a cúpula da instituição financeira.
Para mais detalhes sobre o andamento das investigações, acompanhe as atualizações oficiais da Polícia Federal.
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