O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, revelou que auditorias independentes detectaram uma concentração atípica de poder na condução de negócios envolvendo o Banco Master. A declaração ocorreu nesta terça-feira, 9, durante depoimento à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, onde o executivo detalhou os desdobramentos das investigações sobre irregularidades financeiras.
Os relatórios, elaborados pelos escritórios Machado Meyer e Crowe, foram fundamentais para mapear como as decisões eram tomadas no período sob análise. Segundo Souza, embora a estrutura do banco exigisse o aval de diretorias, os achados técnicos confirmaram que o processo decisório sofreu um afunilamento, levantando questionamentos sobre a governança da instituição à época.
Auditorias revelam falhas na governança institucional
A análise conduzida pelos especialistas contratados pelo BRB trouxe à tona uma dinâmica de gestão que, segundo o presidente, não condiz com as práticas de controle esperadas. O executivo pontuou que a centralização identificada foi reportada aos órgãos competentes para que as devidas apurações de responsabilidade sejam conduzidas com rigor.
Apesar da evidência de concentração, Souza ressaltou que a estrutura formal do banco previa a participação de diversas instâncias na aprovação de operações. O depoimento buscou delimitar a responsabilidade, indicando que, embora o fluxo documental passasse por diretorias, a dinâmica real de poder operava de forma distinta do previsto nos manuais de conformidade.
Estratégia de recuperação e ajustes financeiros
Diante do cenário de crise, a atual gestão do BRB tem focado em medidas para preservar a operação e recompor a saúde financeira da instituição. O banco, que é mantido pelo governo do Distrito Federal, enfrenta o desafio de cobrir perdas bilionárias decorrentes das transações investigadas com o Banco Master.
Para viabilizar a reestruturação, foi aprovado um plano de capitalização que prevê aportes de até R$ 8,8 bilhões. Parte significativa desse montante, cerca de R$ 6,6 bilhões, provém de um empréstimo estruturado junto ao Fundo Garantidor de Créditos, conforme acordo homologado pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal.
Perspectivas para o futuro do BRB
A administração atual projeta um horizonte de recuperação gradual, com a expectativa de que o banco volte a registrar lucro em 2027. A meta estabelecida pela diretoria é alcançar um resultado positivo de R$ 1 bilhão já em 2028, consolidando o processo de saneamento das contas públicas.
Enquanto o plano de recuperação avança, o banco aguarda a conclusão dos trabalhos de auditoria para divulgar as demonstrações financeiras de 2025. O compromisso assumido pela gestão é de transparência total, visando esclarecer os fatos e garantir que o BRB supere os danos causados pelas gestões anteriores. Mais informações podem ser acompanhadas pelo portal oficial do BRB.
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