O cenário político de Lages, em Santa Catarina, registrou um desdobramento significativo nesta segunda-feira, 2 de junho de 2026, com a prisão do vice-prefeito afastado, Jair Júnior. A detenção ocorreu imediatamente após ele receber alta do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, onde estava internado há 11 dias na UTI. A medida judicial visa o cumprimento de uma sentença condenatória por crimes graves cometidos contra sua ex-namorada, marcando um capítulo crucial em um caso que tem gerado ampla repercussão na região.
A prisão de Jair Júnior é o resultado de uma condenação que impõe uma pena de 10 anos e 11 meses de reclusão. O político estava sob os cuidados médicos desde um acidente de trânsito ocorrido durante uma operação policial destinada a cumprir o mandado de prisão. Este evento adiciona complexidade a um histórico já conturbado, que inclui acusações de violência doméstica e outros processos judiciais.
A Condenação e os Detalhes da Sentença Judicial
A ordem judicial que levou à prisão de Jair Júnior detalha uma série de crimes. Ele foi condenado por lesão corporal, cárcere privado, constrangimento ilegal e perseguição contra sua ex-namorada, Victória Batalha. Além da pena de prisão, a sentença também determina a perda do cargo de vice-prefeito, um desdobramento direto das infrações cometidas. Após a alta hospitalar, o vice-prefeito foi encaminhado ao Presídio Masculino de Lages, onde permanecerá em cela individual, conforme as disposições da Polícia Civil.
A gravidade das acusações sublinha a seriedade do sistema de justiça em lidar com casos de violência. A condenação representa um marco importante na responsabilização de figuras públicas por atos que atentam contra a integridade e a liberdade individual, reforçando a importância da proteção às vítimas.
O Acidente Durante a Tentativa de Prisão
O caso ganhou notoriedade em 21 de maio, quando agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) tentaram cumprir o mandado de prisão expedido pela Justiça catarinense contra Jair Júnior. Segundo relatos da polícia, o vice-prefeito dirigia uma BMW pela BR-116, no trecho que atravessa o bairro São Sebastião, em Lages, quando colidiu frontalmente com um caminhão.
Os agentes acompanhavam o político no momento da colisão, que resultou na destruição parcial do veículo e em um princípio de incêndio. Jair Júnior sofreu fraturas graves nas duas pernas e necessitou de internação imediata na UTI. O motorista do caminhão envolvido no acidente não sofreu ferimentos. A defesa do vice-prefeito, representada pelo advogado Guilherme Ramos, argumenta que ele não estava fugindo dos agentes, alegando que desconhecia a existência da ordem de prisão e acreditava estar sendo perseguido.
Histórico de Acusações e Processos Anteriores
O histórico de Jair Júnior é marcado por outras controvérsias judiciais. O Ministério Público o denunciou anteriormente por agressão, sufocamento, cárcere privado e perseguição contra a ex-namorada. A investigação revelou que a vítima procurou uma delegacia após as agressões, e o político a teria perseguido, chegando a atravessar seu carro na frente da motocicleta em que ela estava com a irmã.
Naquela ocasião, a polícia chegou a prender o vice-prefeito em flagrante, mas ele foi liberado no dia seguinte mediante pagamento de fiança. Este episódio anterior motivou a abertura de um processo de impeachment na Câmara Municipal de Lages, que, no entanto, foi posteriormente anulado pela Justiça de Santa Catarina. Além dos crimes relacionados à violência contra a mulher, Jair Júnior também responde a outro processo, no qual o Ministério Público o acusa de ter furado o pneu do carro da prefeita de Lages, Carmen Zanotto (Cidadania), em um ato de represália ao rompimento político entre os dois. Para mais informações sobre o sistema judicial brasileiro, clique aqui.
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