terça-feira , 2 junho 2026
Foto: Montagem Revista Oeste//Reprodução/Redes sociais
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Rioprevidência: prejuízos de até 90% em fundos do Master sob escrutínio da PF e Tce-rj

O Rioprevidência, responsável pela gestão dos recursos de aposentadorias e pensões de servidores estaduais, registrou perdas significativas em investimentos realizados em fundos administrados pelo Banco Master. Documentos da Polícia Federal (PF) e relatórios do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) apontam prejuízos de até 90% e rentabilidade inferior à da caderneta de poupança, levantando sérias questões sobre a adequação e a transparência dessas operações.

As investigações sugerem que os aportes foram feitos em fundos recém-criados ou com perfis de risco incompatíveis com a natureza dos recursos previdenciários. A PF, em particular, indica um possível “alinhamento político” entre figuras envolvidas nas operações e o ex-governador do Rio, adicionando uma camada de complexidade e controvérsia ao caso que mobiliza autoridades e a opinião pública.

Irregularidades nos Investimentos do Rioprevidência e Concentração de Risco

A apuração detalhada revela um padrão de conduta que a Polícia Federal classificou como um “almanaque de irregularidades”. Entre as falhas apontadas, destacam-se a ausência de análises técnicas prévias aos investimentos, a concentração excessiva de risco em carteiras de fundos e o uso de intermediários. Tais práticas teriam o potencial de elevar comissões e, segundo a PF, ocultar o pagamento de vantagens indevidas, comprometendo a integridade dos recursos públicos.

Os documentos enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) e os relatórios do TCE-RJ sublinham que os investimentos totalizaram cerca de R$ 3 bilhões em letras financeiras do Banco Master e em fundos a ele vinculados. A defesa do ex-governador do Rio, mencionada nas apurações, nega qualquer “relação pessoal indevida” e afirma que os encontros ocorreram em agendas oficiais, sem irregularidades.

O Caso do Fundo Texas I e a Investigação da CVM

Um dos casos mais emblemáticos citados na investigação é o do fundo Texas I, administrado pelo Banco Master. Entre junho e julho de 2025, o Rioprevidência aportou R$ 150 milhões neste fundo. Contudo, em dezembro do mesmo ano, o valor de mercado das cotas despencou 90%, resultando em uma perda substancial que reduziu o investimento a aproximadamente R$ 15 milhões.

A drástica desvalorização foi atribuída à alta concentração da carteira do fundo, que detinha 96% de seu patrimônio em ações de uma única empresa. No período do aporte, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já investigava o Texas e outros fundos por suspeita de manipulação de mercado envolvendo os papéis dessa companhia. A Superintendência de Registro de Valores Mobiliários da CVM concluiu que houve atuação coordenada de fundos com o acionista controlador para valorizar artificialmente as ações, que chegaram a saltar 863% antes de perderem valor com a divulgação da investigação. Mais informações sobre o trabalho da CVM podem ser encontradas em seu site oficial.

Rentabilidade Abaixo do Esperado no Fundo Arena

Outro fundo que gerou questionamentos é o Arena, que recebeu R$ 1 bilhão do Rioprevidência. Apesar de focar em títulos de renda fixa, o TCE-RJ apontou que o fundo apresentou uma rentabilidade média de apenas 4% entre dezembro de 2024 e agosto de 2025. Este desempenho foi considerado inferior ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI) e até mesmo à caderneta de poupança no mesmo período.

Os técnicos do tribunal registraram que a performance do fundo ficou “muito abaixo do esperado para renda fixa”, quase se igualando ao IPCA acumulado. O TCE-RJ também questionou a lógica econômica da operação, argumentando que o Rioprevidência pagou taxas de administração e gestão a terceiros para realizar aplicações em títulos públicos, uma atividade que poderia ser executada diretamente pela própria autarquia, sem custos adicionais.

Outros Fundos e Medidas de Recuperação de Recursos

Além do Texas I e do Arena, o Rioprevidência direcionou recursos para os fundos Horizonte e Revolution, ambos também ligados ao Banco Master. O fundo Horizonte investia em títulos do Tesouro Nacional, enquanto o Revolution tinha participação em shopping centers. O TCE-RJ identificou indícios de desvio de finalidade na gestão dos recursos do Revolution, apontando falta de transparência e um prazo excessivo para resgate das aplicações, o que representaria um “grave risco” ao patrimônio da autarquia.

Até julho de 2025, os aportes no fundo Revolution somavam R$ 415 milhões, com o Rioprevidência sendo o primeiro investidor, realizando dois aportes iniciais de R$ 100 milhões cada. Em resposta às apurações, o Rioprevidência informou ter resgatado R$ 1,4 bilhão de um dos fundos administrados pelo Master em dezembro de 2025 e declarou que está estudando medidas para recuperar os recursos aplicados nos demais fundos. O ex-governador do Rio afirmou que o Fundo Arena foi integralmente resgatado em 2025 sem prejuízo, e que o pedido de resgate do Fundo Revolution foi feito em janeiro de 2026.

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