terça-feira , 9 junho 2026
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Senador solicita suspeição de ministro do STF em controvérsia com Banco Master

A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o ministro Alexandre de Moraes seja declarado suspeito em processos que envolvem o empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master. A solicitação, que busca a redistribuição do caso para o ministro André Mendonça, surge em meio a alegações de supostos conflitos de interesse e relações financeiras.

Este movimento ocorre após o ministro Alexandre de Moraes encaminhar à Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que solicitava a apuração de possíveis ligações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, especialmente no que tange ao financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro, intitulada Dark Horse.

Pedido de suspeição de ministro Alexandre de Moraes

A argumentação central da defesa do senador Flávio Bolsonaro para a suspeição de Alexandre de Moraes baseia-se em dados da Receita Federal. Segundo os advogados, esses registros indicam pagamentos significativos do Banco Master ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Os valores citados pela defesa alcançam R$ 80 milhões, o que, na visão dos representantes do senador, configuraria uma relação que poderia comprometer a imparcialidade do magistrado na análise dos processos. A defesa enfatiza que o pedido não visa julgar a relação entre as partes, mas sim garantir a estrita observância das normas processuais e regimentais que regem a conduta judicial.

Contexto da solicitação e envolvimentos políticos

O pano de fundo para a formalização do pedido de suspeição por parte de Flávio Bolsonaro é a investigação sobre as supostas conexões com Daniel Vorcaro. O deputado Lindbergh Farias havia solicitado que a PGR apurasse essas ligações, com foco especial no financiamento do filme sobre o ex-presidente.

Mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, que vieram a público, mostram o senador supostamente cobrando do empresário a destinação de recursos para a produção da obra cinematográfica. Este cenário adiciona uma camada de complexidade ao caso, conectando questões financeiras a interesses políticos.

Alegações de conflito e as negativas

Além dos pagamentos ao escritório da esposa do ministro, a controvérsia foi intensificada por uma reportagem do jornal O Globo, que em março revelou supostas trocas de mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. De acordo com a publicação, as comunicações teriam ocorrido via WhatsApp, em formato de visualização única, no dia da prisão do banqueiro durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, em 17 de novembro do ano anterior.

Em resposta às alegações, o ministro Alexandre de Moraes negou veementemente ter conversado com Vorcaro. Uma nota divulgada pela assessoria de imprensa do STF, em nome do gabinete do ministro, afirmou que ele não foi o destinatário das mensagens mencionadas na reportagem. Da mesma forma, Viviane Barci de Moraes negou qualquer irregularidade, declarando que seu escritório nunca atuou em causas do Banco Master no STF. A advogada ainda esclareceu que o contrato entre o banco e seu escritório previa pagamentos que poderiam chegar a R$ 129 milhões ao longo de três anos, mas que o valor total não foi desembolsado devido à liquidação do Banco Master antes do prazo previsto.

O futuro do processo no Supremo Tribunal Federal

Com o pedido de suspeição formalizado, a defesa de Flávio Bolsonaro busca que, caso a solicitação seja acatada, a análise do caso seja transferida para a relatoria do ministro André Mendonça. A decisão sobre a suspeição de Alexandre de Moraes terá implicações significativas para a condução dos processos relacionados a Daniel Vorcaro e ao Banco Master no STF, bem como para a investigação das supostas ligações com o senador.

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