Em entrevista concedida nesta terça-feira, o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), revelou ter feito um apelo direto ao então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O pedido, realizado durante uma reunião na Casa Branca, em Washington, na semana anterior, visava evitar a imposição de tarifas sobre empresas brasileiras, destacando a importância da relação comercial entre os dois países.
A iniciativa de Bolsonaro surge em um contexto de discussões sobre a política comercial norte-americana, que historicamente tem impactado as exportações brasileiras. O senador enfatizou a necessidade de proteger o setor produtivo nacional de medidas que poderiam prejudicar a economia do Brasil e a competitividade de suas empresas no mercado internacional.
Defesa do agronegócio e inovação nacional
Durante a conversa com Donald Trump, Flávio Bolsonaro sublinhou a relevância do agronegócio brasileiro, um dos pilares da economia do país e um grande fornecedor de alimentos para o mundo. Ele argumentou que não seria justo taxar as empresas brasileiras, dada a sua contribuição global e as inovações que o Brasil tem desenvolvido em diversas áreas.
O senador mencionou especificamente tecnologias como o Pix e o etanol, destacando o potencial do biocombustível como uma energia limpa e um capital a ser incentivado. A mensagem central foi a de que o Brasil, com suas capacidades e avanços, deveria ser tratado como um parceiro em pé de igualdade nas negociações comerciais. “Eu pedi expressamente ‘não taxem as empresas brasileiras'”, afirmou Flávio Bolsonaro à Itatiaia. “Em 2027 vocês vão ter um governo que vai sentar aqui com vocês, vai negociar de igual para igual. O nosso agro alimenta o mundo e não é justo taxar as nossas empresas. Temos que valorizar a nossa tecnologia, o nosso Pix, o nosso etanol, que é uma energia limpa. A gente tem que incentivar esse nosso capital que é o etanol. Nós temos tudo para sentar de igual para igual.”
Outras pautas discutidas na Casa Branca
Além da questão das tarifas comerciais, Flávio Bolsonaro também utilizou o encontro na Casa Branca para abordar temas de segurança. Ele solicitou que os Estados Unidos classificassem as facções criminosas brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e Comando Vermelho como organizações terroristas. Dias após a reunião, os EUA oficializaram essa classificação, indicando uma convergência de interesses na luta contra o crime organizado transnacional.
Essa medida reforça a cooperação entre os dois países em matéria de segurança e pode abrir caminho para ações conjuntas mais robustas no combate a essas organizações, que representam uma ameaça significativa tanto para o Brasil quanto para a estabilidade regional.
Proposta de novas tarifas e o cenário atual
Apesar do apelo de Flávio Bolsonaro, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) divulgou na segunda-feira uma proposta para instituir tarifas de 25% sobre todas as importações provenientes do Brasil. Apenas bens enquadrados como “sujeitos às tarifas de segurança nacional” seriam isentos dessas medidas, o que gerou preocupação no cenário econômico.
Segundo o senador, essas medidas ainda não entraram em vigor, sendo uma sugestão que, se aprovada, começaria a valer a partir de julho. Ele ressaltou que o atual governo brasileiro tem um prazo para negociar e defender os interesses das empresas nacionais. “Pelo que eu entendi, [o novo tarifaço] é uma sugestão ainda, entraria em vigor a partir de julho ainda”, enfatizou o pré-candidato. “Lula tem mais esse tempo para ir lá e negociar, para defender as empresas brasileiras, valorizar o nosso agro.”
Precedentes históricos e base legal para as tarifas
A possibilidade de novas tarifas não é inédita nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. No primeiro semestre de 2025, Donald Trump já havia decretado sobretaxas contra diversos países, incluindo China, México e Canadá, e imposto uma sobretaxa de 40% sobre o Brasil. A decisão final sobre a implementação das atuais propostas dependerá novamente do presidente norte-americano.
As ações do governo dos Estados Unidos baseiam-se na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, promulgada nos anos 1970. Essa legislação concede ao presidente a autoridade para regular importações em situações consideradas de emergência, conferindo-lhe um poder discricionário significativo na política comercial externa. Para mais informações sobre a política externa brasileira, você pode consultar o Ministério das Relações Exteriores.
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