Em uma operação de alta complexidade e sob um rigoroso esquema de segurança, Gerson Palermo, conhecido como “Pigmeu” e apontado como um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi transferido da Bolívia para o Brasil. A ação ocorreu nesta quarta-feira, 27, um dia após sua captura em território boliviano, marcando um importante avanço na luta contra o crime organizado transnacional.
O traficante, que estava foragido da justiça brasileira desde 2020, foi transportado de avião para Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. A chegada de Palermo ao Brasil foi acompanhada de perto por autoridades, com imagens do embarque na Bolívia sendo divulgadas pelo jornal boliviano El Deber, evidenciando a dimensão da operação.
A Captura e o Rigor da Operação de Transferência
A prisão de Gerson Palermo na Bolívia foi resultado de uma intensa cooperação internacional entre a Polícia Federal brasileira e a Força Especial de Luta contra o Narcotráfico (FELCN) da Bolívia. Ele foi localizado e detido em Cotoca, na região de Santa Cruz de La Sierra, após anos de busca.
A transferência para o Brasil foi executada com um aparato de segurança robusto, visando garantir a integridade da operação e evitar qualquer tentativa de resgate ou fuga. Ao pousar em Campo Grande, Palermo foi imediatamente conduzido por policiais federais à Superintendência Regional da PF em Mato Grosso do Sul para os procedimentos legais. A Polícia Federal confirmou que o detento será encaminhado ao sistema penitenciário federal, onde cumprirá suas sentenças.
O Histórico de Fuga e a Polêmica do Habeas Corpus
Gerson Palermo tornou-se um foragido em abril de 2020, após ser beneficiado por um habeas corpus concedido pelo desembargador Divoncir Schreiner Maran, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. A decisão judicial, que o colocou em prisão domiciliar, é alvo de investigação por suspeita de venda de sentenças, acusações que o desembargador nega.
Antes da concessão da prisão domiciliar, Palermo estava detido em regime fechado em Campo Grande desde abril de 2017. Sua prisão inicial ocorreu durante a Operação All In, deflagrada em março do mesmo ano, que resultou na apreensão de 810 quilos de cocaína. Piloto de avião e membro da cúpula do PCC, Palermo rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu poucas horas depois de ser solto, permanecendo desaparecido até sua recente captura na Bolívia.
A Extensa Ficha Criminal de Gerson Palermo
O histórico criminal de Gerson Palermo é marcado por uma série de delitos graves, que o levaram a acumular uma pena total de 126 anos de prisão. Suas condenações incluem crimes relacionados ao tráfico internacional de drogas e outras infrações de alta periculosidade.
Entre as acusações mais notórias está o sequestro de um avião da antiga Viação Aérea São Paulo (Vasp) em agosto de 2000, no Paraná. Por este crime, Palermo foi condenado a 66 anos de prisão. O incidente envolveu uma aeronave com 60 passageiros, que havia acabado de decolar do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu com destino a Curitiba. A rota foi alterada para Porecatu, no interior do estado, onde o sequestro culminou. Palermo foi detido uma semana depois, na Avenida Paulista, em posse de R$ 67 mil provenientes de malotes roubados e utilizando o mesmo celular empregado no sequestro.
A prisão e transferência de Palermo representam um golpe significativo contra as operações do PCC e reforçam o compromisso das autoridades brasileiras e bolivianas no combate ao crime organizado. Para mais informações sobre a atuação da Polícia Federal, visite o site oficial da Polícia Federal.
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