O ensino superior brasileiro atravessa um momento de instabilidade no cenário internacional. De acordo com o ranking global do Center for World University Rankings (CWUR), divulgado nesta segunda-feira, 1º, a grande maioria das instituições de ensino do país apresentou um desempenho inferior em comparação ao ciclo anterior. O levantamento, que analisou 21,2 mil instituições ao redor do mundo, destacou as 2 mil melhores, revelando que 45 das 52 universidades nacionais avaliadas perderam posições.
O cenário aponta que apenas cinco instituições conseguiram avançar na classificação, enquanto duas mantiveram a estabilidade. Esse resultado significa que 87% das universidades brasileiras presentes na lista registraram uma queda. O levantamento utiliza quatro pilares principais para a pontuação: pesquisa, educação, empregabilidade e qualificação do corpo docente.
Impacto do financiamento e da pesquisa na classificação
O recuo das instituições brasileiras é atribuído, em grande parte, à perda de competitividade no pilar de pesquisa, que possui um peso de 40% na nota final. Este critério avalia a produção de artigos, publicações em periódicos de prestígio, influência acadêmica e o volume de citações. A pressão exercida por universidades estrangeiras, que contam com aportes financeiros robustos, tem dificultado a manutenção das posições brasileiras.
Nadim Mahassen, presidente do CWUR, destacou que o declínio observado reflete anos de financiamento inadequado e a desvalorização da ciência e da educação como bens públicos. Segundo o especialista, a dificuldade em atrair e reter talentos compromete não apenas a qualidade educacional, mas também o desenvolvimento científico e a capacidade de inovação do país a longo prazo.
Desempenho das principais instituições nacionais
Entre as instituições brasileiras, a Universidade de São Paulo (USP) ocupa a 119ª posição, registrando um recuo em relação ao ano anterior. A queda foi sentida nos critérios de educação, pesquisa e qualificação do corpo docente. Outras instituições de referência também sofreram ajustes negativos: a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) caiu para a 346ª colocação, enquanto a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) posicionou-se em 379º lugar.
Apesar da tendência de baixa, o Brasil ainda mantém liderança regional na América Latina e Caribe, ocupando as dez primeiras colocações do ranking no continente. Instituições como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) figuram entre as 500 melhores, seguidas por outras federais, como a UFMG, a Unifesp e a UFSC. Para mais detalhes sobre a metodologia, consulte o CWUR.
O domínio norte-americano e a ascensão chinesa
O topo do ranking internacional continua sob domínio dos Estados Unidos, que garantiram oito das dez primeiras posições. Harvard mantém a liderança pelo 15º ano consecutivo, seguida por instituições como MIT e Stanford. O Reino Unido também se faz presente no topo com Cambridge e Oxford. No entanto, o cenário global demonstra uma mudança importante com o crescimento acelerado das universidades chinesas.
Com 360 instituições classificadas, a China superou o número de universidades norte-americanas presentes no ranking. O sucesso chinês é creditado a investimentos contínuos em educação e ciência. Enquanto potências acadêmicas tradicionais enfrentam dificuldades para manter seus postos, o avanço de novos polos de ensino redefine a competitividade no ensino superior global.
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