terça-feira , 2 junho 2026
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Influenciadora Virginia Fonseca sob escrutínio da Polícia Federal, revela revista

A influenciadora digital Virginia Fonseca tornou-se o centro de uma investigação conduzida pela Polícia Federal (PF), conforme detalhado em uma reportagem publicada pela revista piauí. A apuração se concentra em uma série de movimentações financeiras, contratos publicitários e a estrutura de empresas vinculadas à personalidade digital, levantando questões sobre a origem e a compatibilidade de valores com os faturamentos declarados.

A notícia surge em um contexto de crescente atenção sobre a atuação de influenciadores digitais e suas atividades comerciais. A investigação da PF sobre Virginia Fonseca destaca a complexidade das operações financeiras no ambiente digital e a vigilância das autoridades sobre fluxos de capital que possam indicar irregularidades.

Detalhes da apuração da Polícia Federal

A Polícia Federal teria direcionado seu foco para a influenciadora após a identificação de movimentações financeiras consideradas suspeitas. Essa intensificação da análise ocorreu subsequentemente à convocação de Virginia Fonseca para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets. Embora a CPI tenha sido concluída sem a aprovação de pedidos de indiciamento para 25 indivíduos, incluindo a própria influenciadora, os dados levantados durante o processo aparentemente motivaram a continuidade das investigações em outras esferas.

Os investigadores estão analisando minuciosamente documentos que abrangem diversas empresas e contratos publicitários. O objetivo é compreender a totalidade das transações e verificar a conformidade com as regulamentações fiscais e financeiras vigentes no país.

Movimentações financeiras sob análise

Entre as empresas que tiveram suas movimentações financeiras examinadas, destaca-se a Talismã Digital, uma empresa de mídias digitais mantida por Virginia e seu ex-marido, o cantor Zé Felipe. Relatórios indicam que a Talismã Digital teria recebido aproximadamente R$ 22 milhões entre março e setembro de 2024. A maior parte desses valores teria sido transferida por meio de Pix e TED.

Um dos pontos que atraiu a atenção das autoridades foi a natureza do principal depositante desses valores, que opera sob o regime tributário do Simples Nacional, geralmente destinado a empresas de menor porte. Essa discrepância entre o volume financeiro movimentado e o perfil tributário do depositante gerou questionamentos por parte dos investigadores.

Operações suspeitas na WePink Cosméticos e Suplementos

A investigação também abrange informações relacionadas à Wpink Suplementos Nutricionais e à WePink Cosméticos. No caso da Wpink Suplementos Nutricionais, um relatório encaminhado ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) registrou movimentações expressivas. Entre janeiro e março de 2025, foram identificados R$ 43,6 milhões em créditos e R$ 43,5 milhões em débitos. O volume total movimentado foi considerado incompatível com o faturamento oficialmente informado pela empresa, levantando alertas no Coaf.

Em relação à WePink Cosméticos, cuja razão social é Savi Cosméticos S.A., o Coaf também identificou operações classificadas como suspeitas. Entre novembro de 2023 e maio de 2024, foram registradas 190 operações que, somadas, totalizaram cerca de R$ 500 mil. A particularidade dessas transações é que os depósitos foram realizados em caixas eletrônicos de diferentes agências bancárias, um padrão que frequentemente acende um sinal de alerta para as autoridades financeiras.

Conexões e a origem da WePink

A revista piauí também aprofunda a origem da marca WePink, revelando que a empresa teria surgido a partir da Pink Lash, uma rede de estética. A Pink Lash foi originalmente criada pelo casal Samara Cahanovich Martins e Thiago Stabile. A reportagem detalha que a antiga sociedade da Pink Lash contou com a participação da empresária Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida publicamente como “Japa do PCC”.

Karen Mori é viúva de Wagner Ferreira da Silva, indivíduo apontado como integrante do Primeiro Comando do Capital (PCC). A revista afirma que Mori declarou ter investido recursos na criação da Pink Lash em 2017. Antes da fundação da WePink, Virginia Fonseca já participava de eventos relacionados à marca Pink Lash, indicando uma conexão prévia com o universo de negócios que deu origem às suas atuais empreitadas.

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