O Grupo Prime, controlador da Prime Agro Produtos Agrícolas, formalizou um pedido de recuperação judicial junto à Justiça do Paraná. A empresa declarou um passivo total de R$ 790,2 milhões, envolvendo seis companhias e cinco produtores rurais vinculados à família Montans Braga. O processo representa um momento crítico para o conglomerado, que atua no setor de agricultura sustentável e manejo biológico desde 2013.
agronegócio: cenário e impactos
Com sede em Toledo (PR), o grupo emprega atualmente 263 colaboradores e mantém uma operação que atende mais de 500 clientes distribuídos por 20 Estados. A estrutura do pedido de recuperação judicial abrange diversas unidades, como a Agropecuária Caiana, Juruá Participadora de Bens, Acaia Serviços Administrativos, Agropecuária Alterosa e Agropecuária Candeia, além dos produtores rurais da família controladora.
Fatores determinantes para a crise financeira
Na petição apresentada ao Judiciário, o grupo atribui a instabilidade financeira a uma combinação de fatores macroeconômicos e operacionais. A defesa aponta que o elevado endividamento, somado ao encarecimento do crédito e à restrição de liquidez, pressionou severamente o fluxo de caixa da organização. A empresa destaca que parte relevante das dívidas foi contraída durante uma fase de expansão operacional, que se tornou insustentável diante das atuais condições de mercado.
Além disso, o setor enfrenta um cenário adverso caracterizado pela alta das taxas de juros, como a Selic e o CDI, que encareceram o custo dos financiamentos. A queda nos preços de commodities fundamentais, como soja e milho, aliada a eventos climáticos desfavoráveis e ao ciclo de baixa na pecuária, agravou a margem de lucro dos produtores. Para mais detalhes sobre o panorama do setor, consulte a análise disponível em Revista Oeste.
Composição do passivo e credores
O montante total da dívida, de R$ 790,2 milhões, foi dividido em duas categorias principais no processo. Do total, R$ 397 milhões referem-se a créditos sujeitos à recuperação judicial, enquanto R$ 394 milhões foram classificados como extraconcursais. Entre os credores quirografários, o passivo soma R$ 282 milhões, enquanto o Banco do Brasil figura como o único credor com garantia real, totalizando R$ 106,1 milhões.
Na lista de créditos extraconcursais, o maior credor identificado é o Prime Agro Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), com um montante de R$ 190 milhões. O processo também lista instituições financeiras de grande porte, incluindo Santander, Caixa Econômica Federal, BTG Pactual, Itaú Unibanco e Bradesco. O grupo solicita que ativos como fazendas, equipamentos, veículos e uma aeronave sejam reconhecidos como essenciais para a manutenção de suas atividades.
Próximos passos na Justiça paranaense
O pedido de recuperação judicial encontra-se em fase inicial de tramitação. A Justiça do Paraná deve realizar a análise dos documentos e das justificativas apresentadas pelo grupo para decidir sobre o processamento da ação. A expectativa é que o plano de reestruturação detalhe como a empresa pretende equacionar o passivo e garantir a continuidade de suas operações no campo e na prestação de serviços técnicos.
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