A projeção para o custo dos alimentos consumidos em casa aponta para um aumento acumulado de, no mínimo, 7% até o final de 2026. Essa estimativa, revisada por economistas de instituições financeiras, reflete a intensificação dos efeitos do conflito armado no Irã e os riscos associados ao fenômeno climático El Niño. Caso esse patamar se confirme, o indicador registrará a maior variação anual desde 2024, quando a alta atingiu 8,23%.
Essa escalada nos preços dos supermercados supera a projeção da inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que está estimada em 5,09% pelo Boletim Focus, do Banco Central. Analistas destacam que o encarecimento da comida tem potencial para influenciar o debate eleitoral deste ano, especialmente após um período de trégua em 2025, quando a inflação da alimentação domiciliar fechou em 1,43%.
Cenário Geopolítico e Impacto nos Custos de Produção
O conflito no Oriente Médio tem desestabilizado o mercado global de energia, resultando em uma disparada nas cotações internacionais do petróleo. Essa alta se traduz em repasses imediatos nos combustíveis nacionais, como o óleo diesel, que é essencial para o transporte rodoviário de cargas e, consequentemente, para a logística de distribuição de alimentos.
Adicionalmente, o bloqueio temporário do Estreito de Ormuz tem gerado uma redução na oferta de fertilizantes. Esse cenário eleva significativamente o custo de produção para as próximas safras, impactando diretamente a rentabilidade dos produtores e, em última instância, o preço final dos produtos para o consumidor.
El Niño e os Desafios Climáticos na Agricultura
O avanço do fenômeno El Niño a partir da metade do ano representa um risco adicional para a agricultura brasileira. O aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico provoca alterações drásticas no regime de chuvas em diversas regiões do país.
Historicamente, o El Niño castiga as regiões Norte e Nordeste com secas severas, comprometendo lavouras e a disponibilidade de água. Na outra extremidade do país, na Região Sul, o evento climático costuma provocar tempestades e inundações, que prejudicam a colheita de itens de hortifrúti e plantações de milho, afetando a oferta e elevando os preços.
Projeções Econômicas e Histórico dos Preços dos Alimentos
Diante do novo cenário internacional e climático, economistas têm revisado suas estimativas. O economista André Romão, por exemplo, mais que dobrou sua projeção para o indicador de alimentos neste ano, passando de 3,7% para 7,7% em dezembro, antes e depois do início dos combates em fevereiro.
O histórico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela a volatilidade do setor. O pior momento foi registrado em 2020, no auge da pandemia, quando a alta atingiu 18,15%. Em contraste, 2023 foi o único ano desde o início da crise sanitária a registrar recuo de preços, com uma queda de 0,52% impulsionada por uma safra recorde de grãos. No período entre 2020 e 2025, a média geral de aumento dos produtos alimentícios foi de 8,13% ao ano.
Para mais informações sobre as projeções econômicas, consulte o Boletim Focus do Banco Central.
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