terça-feira , 2 junho 2026
Foto: Correio da Manhã/Arquivo Nacional
Foto: Correio da Manhã/Arquivo Nacional

Aviação brasileira registra queda de réplica do 14-Bis em homenagem da FAB

No último fim de semana, a Academia da Força Aérea (AFA), localizada em Pirassununga, no interior de São Paulo, foi o cenário de uma celebração marcante em homenagem aos 120 anos do voo histórico de Alberto Santos Dumont. O evento, que contou com a presença da Esquadrilha da Fumaça, buscava exaltar o pioneirismo brasileiro na conquista dos céus. Contudo, um incidente inesperado envolvendo uma réplica do icônico 14-Bis chamou a atenção do público e gerou ampla repercussão nas redes sociais.

Incidente com réplica do 14-Bis marca evento em Pirassununga

Durante uma das apresentações mais aguardadas do cronograma, a réplica do aeroplano acabou sendo destruída após um problema de sustentação. A estrutura estava sendo utilizada em uma manobra complexa que envolvia o transporte por um balão de 25 metros de altura. O objetivo era realizar uma demonstração aérea que remetesse aos primeiros passos da aviação mundial, mas o desfecho não ocorreu como muitos espectadores previam.

Após ser desacoplada da aeronave que a içava, a réplica não conseguiu manter o voo nivelado. Sem a sustentação necessária para planar, o objeto despencou diretamente em direção ao solo da base militar. Vídeos registrados por portais especializados, como o AeroJota, capturaram o momento exato em que a estrutura caiu, sendo descrita por observadores como um “pombo sem asa” devido à trajetória de queda livre.

Dinâmica do salto e queda da aeronave histórica

O paraquedista Luigi Cani era o responsável por conduzir a estrutura durante a exibição. De acordo com os relatos técnicos, o profissional realizou um salto de segurança bem-sucedido momentos antes de a réplica ser liberada do balão. A manobra de abandono da aeronave ocorreu conforme o planejado, garantindo a integridade física do paraquedista, que pousou sem intercorrências no gramado da Academia da Força Aérea.

Logo após o impacto da réplica com o solo, um helicóptero da organização foi acionado para realizar a limpeza da área e o recolhimento dos destroços. A destruição total da peça construída especialmente para a homenagem causou surpresa em parte do público presente, que lamentou o fim da estrutura. Nas plataformas digitais, as imagens da queda geraram debates sobre a segurança e o propósito da demonstração realizada no interior paulista.

Esclarecimentos de Luigi Cani sobre o projeto de reconstrução

Apesar da repercussão negativa em alguns setores, Luigi Cani afirmou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que o resultado final já era esperado pela equipe técnica. Segundo o paraquedista, o projeto não previa um pouso suave para aquela réplica específica. Ele destacou que esta foi a segunda unidade construída e posteriormente destruída como parte de um processo contínuo de testes e exibições temáticas.

Cani ressaltou que a destruição faz parte da natureza experimental do trabalho que vem desenvolvendo. Para o especialista, o valor da ação reside na experiência visual e no tributo prestado, e não necessariamente na preservação física do objeto após o uso. O projeto busca manter viva a memória de Santos Dumont através de representações físicas que desafiam as leis da física, assim como o inventor fez em 1906.

Legado de Santos Dumont e a importância da Academia da Força Aérea

A escolha da Academia da Força Aérea para a homenagem não foi por acaso. A instituição é o principal centro de formação de oficiais da Aeronáutica no Brasil e carrega o peso histórico de preservar os valores de Santos Dumont. O voo original do 14-Bis, realizado no campo de Bagatelle, em Paris, permanece como o marco fundamental da aviação, sendo o primeiro voo de um aparelho mais pesado que o ar a decolar por meios próprios.

Eventos como este, apesar de incidentes técnicos, reforçam a identidade nacional e a importância da inovação tecnológica. A FAB continua a promover cerimônias que conectam o passado glorioso da aviação brasileira com os desafios contemporâneos da defesa aeroespacial. A réplica destruída, embora perdida fisicamente, cumpriu seu papel de gerar engajamento e relembrar a audácia necessária para conquistar o espaço aéreo há mais de um século.

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