terça-feira , 2 junho 2026
Foto: Reprodução/Redes sociais
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Investigação da PF aponta suposta propina de R$ 22 milhões do Banco Master ao Rioprevidência

Um relatório recente da Polícia Federal, encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, detalha um suposto esquema de corrupção envolvendo o Banco Master e o fundo de pensão do Estado do Rio de Janeiro. Segundo o documento, a instituição financeira teria pago cerca de R$ 22,1 milhões em propinas a um lobista para intermediar investimentos bilionários realizados pelo Rioprevidência em ativos ligados ao banco.

propina: cenário e impactos

O montante sob investigação corresponde a uma comissão de 0,6% sobre o valor total injetado pela autarquia fluminense. Ao todo, o fundo de pensão destinou R$ 3,69 bilhões para diferentes ativos financeiros estruturados ou geridos pela instituição, evidenciando a magnitude das operações realizadas no período analisado pelas autoridades federais.

Intermediação financeira e o percentual da comissão sob suspeita

As investigações conduzidas pela Procuradoria-Geral da República indicam que parte expressiva dos recursos foi canalizada para a Mídias Promotora SA. Esta empresa é atribuída ao lobista Ricardo Siqueira Rodrigues, que teria atuado como o principal articulador das operações entre o banco e o fundo previdenciário estadual.

O detalhamento da comissão de 0,6% foi identificado em uma nota de rodapé da decisão judicial, reforçando a tese de que o pagamento não possuía lastro em serviços lícitos de consultoria. A movimentação financeira atípica despertou o alerta dos órgãos de controle, que agora buscam rastrear o destino final de cada parcela dos valores transferidos.

Operação Compliance Zero e o papel das corretoras no esquema

No desdobramento das investigações, a Operação Compliance Zero, deflagrada na última terça-feira, 26 de maio, cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos envolvidos. Além da Mídias Promotora, a Planner Corretora foi um dos alvos centrais da ação policial por sua participação direta na venda de ativos.

A Planner, fundada por Maurício Quadrado — ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master —, teria intermediado a venda de aproximadamente R$ 510 milhões em letras financeiras ao Rioprevidência. A proximidade societária entre os executivos das instituições envolvidas é um dos pontos focais da Polícia Federal para demonstrar a coordenação do grupo na captação de recursos públicos.

Provas digitais e o agradecimento por metas de captação atingidas

Um dos elementos mais contundentes do relatório é uma troca de mensagens interceptada entre o lobista Ricardo Siqueira Rodrigues e Daniel Vorcaro. Nas comunicações, Rodrigues celebra o alcance de metas agressivas de captação de recursos em um curto espaço de tempo, agradecendo pelo apoio da equipe disponibilizada pelo banco.

Em uma das mensagens, o lobista destaca os seguintes pontos sobre a operação:

  • Atingimento da meta estabelecida em apenas 45 dias.
  • Posicionamento do banco como segundo maior captador de letras financeiras no período.
  • Existência de um fluxo de caixa projetado superior a R$ 1 bilhão para o semestre seguinte.

Embora o relatório não confirme se houve resposta direta de Vorcaro a essas mensagens específicas, o teor dos diálogos sugere uma relação de subordinação e planejamento estratégico voltado para a extração de recursos do fundo de pensão fluminense.

Perfil do lobista e reincidência em esquemas de corrupção no Rio

O nome de Ricardo Siqueira Rodrigues não é estranho às autoridades brasileiras. O lobista já atuou como delator premiado em fases da Operação Lava-Jato e teve envolvimento direto no caso conhecido como QG da Propina, que investigou irregularidades na Prefeitura do Rio de Janeiro durante a gestão de Marcelo Crivella.

Naquela ocasião, Rodrigues admitiu à Justiça que suas empresas e estabelecimentos comerciais foram utilizados para lavar dinheiro de origem ilícita. O histórico de reincidência do operador financeiro em esquemas que envolvem a administração pública reforça a gravidade das novas suspeitas levantadas pela Polícia Federal no âmbito do sistema financeiro nacional. Mais detalhes sobre as investigações podem ser acompanhados no portal oficial do O Globo.

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