terça-feira , 2 junho 2026
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Esquema para reaver carro de luxo: PF detalha farsa de Careca do INSS com sobrinha

A Polícia Federal (PF) revelou detalhes de um complexo esquema que teria sido orquestrado por Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, um nome já associado a investigações de grande repercussão. A apuração mais recente aponta que Antunes teria utilizado sua sobrinha, uma advogada, em uma tentativa de recuperar um veículo de luxo que estava sob restrição judicial. As informações, inicialmente divulgadas pelo portal Metrópoles, lançam luz sobre as intricadas manobras do investigado, que permanece sob custódia em decorrência de outras ações. As acusações reforçam o padrão de conduta investigado pelas autoridades.

A articulação para reaver o veículo de luxo

O centro da trama envolve um Audi RS6, avaliado em R$ 377 mil, que teria sido objeto de um suposto furto comunicado à polícia pela sobrinha de Antunes. O registro da ocorrência, feito em uma delegacia de Perdizes, tinha como objetivo aparente anular a restrição judicial que pesava sobre o automóvel, facilitando seu retorno ao lobista. Essa estratégia visava contornar as determinações da Justiça que impediam a livre circulação do bem. A ação da PF, parte da Operação Sem Desconto, resultou na apreensão do carro na residência do próprio Careca do INSS, evidenciando a tentativa de fraude.

Apesar da apreensão, a Justiça determinou que o veículo não fazia parte do patrimônio de Antunes e, por isso, foi devolvido ao antigo sócio do investigado. Este desfecho ressalta a complexidade da situação patrimonial de Careca do INSS e as tentativas de contornar as decisões judiciais por meio de artifícios legais, que agora são alvo de uma investigação aprofundada.

Envolvimento de advogada e policiais civis na trama

A participação da sobrinha advogada, Vitória Sernégio, foi um ponto crucial na investigação, levantando questões sobre a ética profissional e a extensão do esquema. A Polícia Federal chegou a solicitar a prisão domiciliar da advogada, alegando seu envolvimento direto na tentativa de reaver o carro de luxo. No entanto, o ministro André Mendonça, relator do caso, rejeitou o pedido, mantendo a advogada em liberdade enquanto as investigações prosseguem.

Além da advogada, duas policiais civis de São Paulo, Karla Rodrigues e Anna Lygia Paredes Gatti, também estão sob suspeita de terem auxiliado Careca do INSS no processo de retirada das restrições do veículo. Ambas foram afastadas de suas funções e tiveram mandados de busca e apreensão cumpridos em seus endereços, indicando a amplitude da investigação federal e a possível ramificação do esquema em diferentes esferas. A apuração busca esclarecer o grau de envolvimento de cada um dos suspeitos.

Investigação sobre patrimônio e offshore de Careca do INSS

Paralelamente ao esquema do carro, a Polícia Federal aprofunda a investigação sobre o patrimônio de Antonio Carlos Camilo Antunes. Um dos focos é a aquisição de um duplex de R$ 5 milhões em um bairro nobre de São Paulo. A suspeita é que o imóvel tenha sido comprado com recursos ilícitos, possivelmente oriundos de fraudes no INSS, especialmente durante o período em que aposentados e pensionistas foram alvo de descontos irregulares. A conexão entre as fraudes e a aquisição de bens de alto valor é um dos pilares da apuração.

O imóvel, localizado no Edifício Bianco, na Rua Jesuíno Arruda, no valorizado bairro do Itaim Bibi, zona sul da capital paulista, foi adquirido em 2024. Curiosamente, registros da Receita Federal indicam que a Camilo & Antunes Limited, uma offshore ligada a Antunes e sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, foi registrada no Brasil em 10 de maio de 2024, pouco antes da compra do apartamento. A existência de uma empresa offshore levanta questões sobre a movimentação de capitais e a possível ocultação de bens. O duplex ocupa os dois andares superiores do edifício, somando 297 metros quadrados, com três vagas de garagem e elevador privativo, além de um condomínio que oferece portaria 24 horas, academia, piscina, salão de festas e área verde, características que denotam o alto padrão do bem investigado.

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