Um casal residente em Jales, no interior de São Paulo, protagonizou um momento de debate intenso no Congresso Nacional nesta terça-feira, 9. Adauto José Denardi e Ieda Cristina Denardi, que enfrentam uma condenação de 50 dias de prisão por abandono intelectual, utilizaram o espaço das audiências públicas para defender a urgência da regulamentação do homeschooling no Brasil.
A situação jurídica do casal tornou-se um símbolo das dificuldades enfrentadas por famílias que optam pela educação domiciliar. Embora a Justiça tenha reconhecido que as duas filhas dos Denardi recebiam instrução regular, a ausência de matrícula em uma instituição de ensino formal foi o fator determinante para a condenação criminal, desencadeando um amplo questionamento sobre os limites da liberdade educacional no país.
O embate entre a prática familiar e a lei
Durante a audiência na Câmara dos Deputados, Adauto Denardi questionou diretamente a legitimidade da punição imposta pelo Judiciário. O casal apresentou um conjunto robusto de evidências para provar o acompanhamento pedagógico das filhas, incluindo relatórios de atividades acadêmicas, registros de socialização e a comprovação de cursos complementares realizados pelas adolescentes.
A defesa do casal sustenta que a instrução domiciliar foi conduzida com rigor, cumprindo o papel de formação intelectual das jovens. No entanto, o sistema jurídico brasileiro atual, que carece de uma legislação federal específica para o tema, tem resultado em decisões conflitantes e na criminalização de pais que buscam alternativas ao modelo escolar tradicional.
Insegurança jurídica e o papel do Estado
O caso específico de Jales ganhou repercussão nacional, sendo utilizado por parlamentares como um exemplo claro da insegurança jurídica que paira sobre o ensino domiciliar. A falta de regras claras permite que interpretações judiciais variem drasticamente, deixando famílias em um estado de vulnerabilidade constante frente ao poder público.
Parlamentares favoráveis à causa, como o deputado federal Nikolas Ferreira, têm articulado esforços para acelerar a votação de propostas que garantam o direito à educação domiciliar. O objetivo é estabelecer um marco legal que proteja as famílias e defina os parâmetros para a prática em todo o território nacional, evitando que a escolha pedagógica seja tratada como um ilícito penal.
Tramitação legislativa e o futuro do homeschooling
No Senado Federal, a discussão avança por meio do Projeto de Lei 1.338/2022. A proposta busca regulamentar o ensino domiciliar, oferecendo o respaldo necessário para que pais possam educar seus filhos sem o risco de processos criminais por abandono intelectual.
Apesar de ter recebido parecer favorável da relatora, a senadora Dorinha Seabra, em 2025, o texto ainda aguarda votação na Comissão de Educação. Enquanto o impasse legislativo persiste, o debate sobre o papel do Estado na formação de crianças e adolescentes continua a dividir opiniões e a gerar disputas judiciais em diversas regiões do Brasil.
Lado Direito