terça-feira , 9 junho 2026
Foto: Reprodução/Rafael Campos/Gov. RJ
Foto: Reprodução/Rafael Campos/Gov. RJ

Relatório da Alerj aponta que decreto de 2021 de Castro impulsionou avanço do Banco Master

Um relatório detalhado, elaborado pelo presidente da Comissão de Servidores Públicos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Flávio Serafini, trouxe à tona questionamentos sobre a atuação do ex-governador Cláudio Castro. O documento aponta que um decreto assinado pelo então gestor estadual, em maio de 2021, teria criado condições favoráveis para a expansão do Banco Master no mercado de crédito consignado do Rio de Janeiro.

Impacto das mudanças na regulamentação de crédito

O estudo conduzido pela comissão da Alerj detalha como a medida alterou as regras para empréstimos consignados. A mudança normativa abriu caminho para o credenciamento de diversas instituições financeiras e administradoras de cartão de crédito, permitindo que estas passassem a operar diretamente junto aos servidores públicos e pensionistas do Estado.

O decreto, datado de 27 de maio de 2021, permitiu que o governo autorizasse o credenciamento de entidades financeiras e administradoras de cartão mesmo sem registro prévio no Banco Central. Apenas cinco dias após a publicação, a Casa Civil concedeu a autorização para que a operadora PKL One, vinculada ao Banco Master, oferecesse o cartão Credcesta ao funcionalismo estadual.

Expansão e exclusividade no mercado estadual

Segundo o relatório, o termo de credenciamento garantiu à empresa uma posição de exclusividade na oferta do cartão de benefícios. O mercado de consignados no Rio de Janeiro teria servido como uma porta de entrada estratégica para o Banco Master, que posteriormente se envolveu em operações financeiras de grande porte, incluindo aportes do Rioprevidência e da Cedae.

Quando a instituição entrou em liquidação, em novembro do ano passado, sua carteira de crédito consignado no Rio de Janeiro atingia a marca de R$ 5,5 bilhões, distribuídos em 156 mil contratos. Com esses números, o banco ocupava a segunda posição no mercado estadual, ficando atrás apenas do Bradesco.

Alterações nas margens e o papel da PKL One

Além de facilitar o acesso, o decreto ampliou a margem de renda dos servidores que poderia ser comprometida com as operações. A norma estabeleceu um limite específico de 20% para o cartão de benefícios e autorizou o uso desse instrumento para a aquisição de bens e serviços no comércio convencional, ampliando o alcance do produto.

A PKL One, que operava o cartão, possuía conexões com Augusto Lima, então sócio de Daniel Vorcaro. Após a liquidação do Banco Master, a empresa Pleno, também pertencente a Lima, assumiu as carteiras do Credcesta. O ex-governador Cláudio Castro nega qualquer favorecimento ao banco e afirma que não conhecia o empresário Daniel Vorcaro no momento da edição do decreto.

Para mais informações sobre o cenário político e econômico, consulte o portal oficial da Alerj.

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